Carnaval 2016 marca a Destruição Ilegal no Cine Excelsior

O movimento popular “SALVEM O CINE EXCELSIOR”, que luta pela preservação e reabertura deste importante cinema de Juiz de Fora, e que vem batalhando há anos pelo resgate daquele local para a cultura como um espaço de referência e multiuso para os setores culturais da cidade e região da Zona da Mata, vem a público denunciar mais uma tentativa de destruição ilegal do imóvel.
Trata-se de fato, um “modus operandi” extremamente perverso – próprio da especulação imobiliária: aproveitar-se de datas festivas, de feriados prolongados, onde não há fiscalização e mobilização, para operar mais um desmonte (ou melhor, demolição) de mais uma parte do interior do imóvel.
Neste Carnaval, durante a passagem da tradicional Banda Daki, em plena Avenida Barão do Rio Branco, viemos a público denunciar que, de forma ILEGAL E IRRESPONSÁVEL, ESTÃO REALIZANDO A DEMOLIÇÃO de mais uma parte do teto do CINE EXCELSIOR. Trata-se de lage estrutural de enorme peso e em vão livre (cerca de 890 m2) e pioneira em aliar forma e estrutura para um salão cinematográfico, propiciando a melhor acústica possível além fazer a “amarração estrutural” do prédio onde se encontra. Sem esta lage, o cinema fica desprovido da acústica e beleza e, pior, expõe ao perigo estrutural não só o edifício do cinema mas todos à sua volta, pois sem a lage a amarração fica fragilizada.

A PJF não pode se omitir mais uma vez. A SAU e FUNALFA sempre se colocaram de forma omissa e de acordo com os proprietários daquele imóvel em detrimento da vontade e da mobilização popular – que demonstrou sua relevância e objetivo de preservar para as futuras gerações e reabrir o cinema como um Centro Cultural.

As administrações municipais sempre se omitiram em se posicionar de forma proativa no sentido de realizar a desapropriação do imóvel e assegurar definitivamente o espaço para a cultura e audiovisual. O Governo Bruno Siqueira não foi diferente… e pior, recebeu os líderes junto com o representante da Deputada Margarida Salomão em seu gabinete (logo quando assumiu o governo) e nunca mais os procurou mesmo depois que o Movimento conseguiu reverter, processualmente, o funcionamento de um estacionamento de se estabelecer ali, levantando toda uma documentação em que se provou que todos as licenças emitidas pela própria prefeitura eram precários e ilegais. Os empresários desistiram da atividade do estacionamento mas, vê-se agora, não desistiram de destruir o que resta do patrimônio afetivo do cinema – que sempre levou o Movimento Popular a lutar por seu preservação e da atividade fim, a cultura cinematográfica.

Fato é que, coincidentemente, este atual momento é especial para o Movimento pois, em dezembro de 2015, houve a aprovação em plenária na Câmara Municipal de um requerimento encaminhado, pelo Vereador Roberto Cupolillo, o Betão, de uma Comissão Especial do Legislativo Municipal para vistoriar o imóvel afim de se estudar a sua desapropriação e preservação para a cultura.

A Banda Daki abafará o som das marretadas dos picaretas que destroem o passado da sua cultura cinematográfica. Não podemos ficar parados e ver isso impunemente!!!

E em dois dias (na próxima segunda-feira, 08/02) comemora-se o aniversário do CINE EXCELSIOR. Mais uma vez, esse não é o presente que o cinema mineiro merece… Estaremos de prontidão na luta pelo desejo popular e não ao caráter especulativo que reina nos antigos imóveis que abrigavam antigos Cinemas, como o Excelsior.
O MOVIMENTO SALVEM O CINE EXCELSIOR voltará às ruas!!

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Internautas organizam campanha contra fechamento do Grupo de Cinema Estação no Rio

campanha pro grupo estacao rioCinéfilos organizaram uma campanha, no Facebook, contra o fechamento de seis unidades de cinema do Grupo Estação, com mobilização de 10 mil internautas e 1.400 assinaturas em um baixo assinado na rede social.

Com exibição de filmes seletos a um público específico, o Grupo Estação acumula dívida de R$ 31 milhões. A professora universitária Larissa Moraes argumenta que o público ficará com o circuito de exibição de filmes muito comercial, com o fim do grupo.

— A campanha é um ato de amor. Se o Rio perder um grupo como o Estação, a cidade vai perder muito com o cinema de arte.

Nesta terça-feira (05/08/2014), uma assembleia com os credores decidirá o futuro da administradora. Caso não haja um acordo, as unidades fecharão.

(Fonte:R7.com)

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Cine Excelsior: 56 Anos

UMA DATA PARA COMEMORAR O DESCASO, A INÉRCIA E O ABANDONO?

 

Hoje é a data em que o Cine Excelsior completa 56 anos passados a sua primeira exibição pública. Desde aquele 8 de fevereiro de 1958 foram muitos os momentos marcantes e emocionantes na vida de milhares de espectadores e períodos enaltecedores, que elevaram o nome da cidade a nível nacional da cultura cinematográfica. Mas, infelizmente, não teremos o prazer de parar para contabilizar o progresso e avanço tecnológico pelo qual deveria passar o antigo e majestoso cinema.

Lamentavelmente hoje temos a incômoda pergunta, e esperamos que talvez os responsáveis por tal quadro, como os conselhos e órgãos públicos municipais, em particular o COMPPAC e a FUNALFA, possam responder a seguinte pergunta: HOJE É UMA DATA PARA COMEMORAR O DESCASO, A INÉRCIA E O ABANDONO?

Sempre que uma foto do Cine Excelsior é compartilhada nas redes sociais, lemos os lamentos e testemunhos de dezenas de internautas, provas de que ele era o melhor de seu tempo e vemos que, hoje, já poderia estar aberto e funcionando, a exemplo do Cine Belas Artes em São Paulo, depois de pouco mais de um ano fechado, será reaberto em três meses após assinatura de acordo com a Caixa Econômica Federal. Enquanto isso, Juiz de Fora permanece parada no tempo.

A Associação de Amigos do Cine Excelsior permanece vigilante, de olho na ação popular que ainda corre nos tribunais e continuamos na luta para que o Cine Excelsior volte a funcionar.

Assim como não deixamos passar a data do aniversário da primeira exibição pública em branco. Apesar de tudo, parabéns, Cine Excelsior!

 

Excelsior-02imagem: Maria do Resguardo

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Vende-se uma cidade

Uma cidade onde a cultura é exceção, já que o estacionamento é mais importante do que a cultura audiovisual, local em que o esporte dá lugar ao consumo, à arquitetura, ao cimento bruto; a sede histórica dá lugar a vagas de carro; o campo de futebol, o lazer, a saúde, o espaço, a iluminação, o vento, o ar e o bem-estar dão lugar a uma praça de alimentação fechada, com ar-condicionado, iluminação artificial e gordurosa.
Um local com planejamento escrito, não cumprido e nunca revisto. Onde o remendo vale mais que o remédio, a prevenção e a correção. Vende-se uma cidade sem identidade, com 500 mil cidadãos sujeitos ao caos urbano, onde veículos são privilegiados em relação aos pedestres, onde se pode construir qualquer prédio, mesmo que irregular, que depois se resolve, mas que, também, pode esperar, porque a lei se ajusta depois aos interesses da especulação imobiliária. Onde quanta água vai precisar levar, quanto esgoto coletar, como as pessoas vão chegar, o impacto viário, a vizinhança ignorada, se o ônibus vai dar conta, se a rua vai aguentar o tráfego, vê-se depois.
Uma cidade em que se destrói ou deixa corroer a história até todos esquecerem em uma fotografia em preto e branco de um blog saudoso. Local em que a esperança só vem de quatro e quatro anos, mas o rumo se perde desde sempre; local em que a qualidade de vida já foi sala de estar e agora é o banheiro de serviço; onde o centro vivo morre de noite, e o bairro residencial cansado acorda ao anoitecer.
Local em que olhar para o morro, a mata, o Cristo só é possível entre uma fresta e outra de caixotes de mármore. Vende-se uma cidade, a preço baixo, com custo muito alto, onde o crescimento a qualquer custo prevalece sobre o desenvolvimento controlado, onde mananciais de água são esmagados, amassados, agredidos, cercados. Enquanto você lia este texto, a cidade já tinha sido vendida! Juiz de Fora, juízo de fora.

(Texto de CARLOS WILLIAM R. JABOUR – PROFESSOR, que é ADMINISTRADOR e JUIZ-FORANO).

Vende-se uma cidade com poucos quilômetros quadrados de malha urbana saturada e estimulada a saturar-se ainda mais. Com muita área rural subaproveitada, ignorada, onde, ao contrário de qualquer lugar que a valorizaria, é relevada ao abandono. Onde as garagens são perto de esquinas, os recuos são fachada e cobertura de morador de rua, as esquinas são prensadas e sombrias, e as árvores não são para sombra, mas, sim, decepadas até só vermos fios, postes, fachadas, muros e o cinzento humor urbano.

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NOTA DE ESCLARECIMENTO

LOGO-nota-de-esclarecimentoDiferentemente do que foi noticiado no portal da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora pela Assessoria de Comunicação da Fundação Alfredo Ferreira Lage (FUNALFA), sobre decisão da 6ª Câmara Cível do TJMG que publicou acórdão contrário ao pedido de suspensão da obra do Estacionamento Excelsior, comunicamos que o empreendimento citado permanecerá fechado por força de liminar que, na verdade, NÃO FOI CASSADA.

A Associação de Amigos do Cine Excelsior vem empreendendo grande luta histórica pela preservação daquele espaço para a cultura da cidade e tem obtido êxito no campo jurídico nos últimos meses, juntamente com o Condomínio do Edifício Excelsior, onde o Cinema faz parte da edificação. Tal luta evidência a clara dificuldade da administração pública municipal em admitir o valor artístico do imóvel e que espelha o posicionamento contrário dos órgãos da administração, como o COMPPAC, a FUNALFA e a SAU.

A inversão de valores que o COMPPAC e a PJF faz é absurda a ponto desses órgãos, por configurarem como réus nos processos em curso, tentam divulgar imprecisões processuais. Deste modo, nosso Movimento vem a público esclarecer o seguinte:

– Atualmente, existem outras ações em tramitação cujo objeto é o imóvel do antigo Cine Excelsior. É por este motivo que o Estacionamento que foi aberto irregularmente naquele imóvel e encontra-se fechado hoje, inclusive com o seu alvará de funcionamento cassado.

– O maior fato que merece ser salientado aqui é que, se dependesse da administração pública municipal, a cidade já teria perdido definitivamente um espaço cultural daquela magnitude.

– O interesse cultural do Cine Excelsior mobilizou nos últimos anos inúmeras discussões sobre os rumos do patrimônio artístico-cultural da cidade e sempre esteve em pauta na memória da população, embora a Gestão Cultural dos últimos anos vem sucessivamente ignorando a importância daquele imóvel para a municipalidade deixando-o à mercê da especulação imobiliária. Nossa luta é e sempre será para reverter esta situação e conseguir reabri-lo como Centro Cultural Multiuso.

Foi divulgado originalmente no site oficial da FUNALFA no dia 20 do corrente mês, e também repetido pela imprensa eletrônica e televisiva, notícias EQUIVOCADAS em suas conclusões e especulações.

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NOSSO ESCLARECIMENTO NECESSÁRIO

Lutamos por DIREITO!

Portanto, cumpre esclarecer definitivamente que a DECISÃO JUDICIAL EM SEDE DE AGRAVO DE INSTRUMENTO – Processo 0174979-50.2013.8.13.000 – decisão publicada no Diário Oficial de Justiça do Estado de Minas Gerais, no dia 25 de outubro do corrente ano, negando provimento ao pedido liminar de suspensão das obras de estacionamento, que estão sendo realizadas no imóvel onde funcionou o Cine Excelsior (Avenida Rio Branco, 1.909 – Centro).em face de indeferimento da medida liminar da AÇÃO POPULAR – processo 0337853-32.2013.8.13.0145, 1ª vara da fazenda pública Comarca de Juiz de Fora, ação judicial que tem como fundamento jurídico a anulação do ato administrativo que indeferiu pedido de tombamento, bem como a invalidação do alvará de funcionamento do estacionamento concedido pela PJF em violação expressa as leis de tombamento, urbanas e ambientais do município.

Foi deferido a medida de cautelar incidental no dia 20 de junho do corrente pela Juíza Roberta de Araújo de Carvalho Maciel da 1ª Vara de Fazenda onde corre a citada AÇÃO POPULAR em razão do comprometimento estrutural e condições de insegurança, risco de curto circuito e incêndio , conforme atestam laudos de vistoria do Corpo de Bombeiros e da DEFESA CIVIL. Sendo que a citada medida cautelar vigora até a presente data, medida judicial que impôs providencias de urgência a serem tomadas pelos réus ainda não executadas junto ao Corpo de Bombeiros e contrárias a CONVENÇÃO CONDOMINIAL

Neste sentido, as manifestações da FUNALFA e dos réus veiculadas na imprensa são inverídicas, equivocadas e não correspondem aos fatos e decisões judiciais vigentes em especial a medida liminar da AÇÃO POPULAR vigente, que impede o funcionamento do estacionamento por questões que envolvem risco de incêndio de curto circuito e comprometimento estrutural. Sendo que as questões de mérito do procedimento de tombamento ainda serão discutidas na citada ação judicial, conforme as provas carreadas aos autos, que apontam as irregularidades e vícios de legalidade diferentemente do juízo de valor constante na nota oficial da assessoria de comunicação da FUNAL. Uma vez que o procedimento de discussão do tombamento do Cine Excelsior não observou e tão pouco ouviu o clamor popular de mais de 2000 assinaturas, manifestações em audiência públicas, pareceres de expert e autoridades que destacam a importância da arquitetura Art Decó e da identidade e importância do Cinema Excelsior com espaço de cultura, do encontro e desenvolvimento social de Juiz de Fora.

Por fim, parece que a “voz” da FUNALFA (lê-se também como do COMPPAC) quer sobrepor à “voz” da vontade popular em diversos aspectos da cultura local, principalmente no que diz respeito ao desmerecimento do valor artístico-cultural do Cine Excelsior. Não é desta maneira que as coisas deveriam acontecer, pois quem perde é a cidade. E isso é apenas uma das coisas que tem que mudar em Juiz de Fora.

Queremos o Cine Excelsior de volta para Juiz de Fora!!

Associação Amigos do Cine Excelsior
www.cinemaexcelsior.com.br

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Cinemas, Lugares de Memória

Belo texto gentilmente cedido pelo professor da UFJF Sérgio Barra, doutor em História Social da Cultura e especialista em Patrimônio Cultural, que reproduzimos aqui no blog.

Flanando - Sala de Cinema

Sérgio Barra

Quem nunca, em uma tarde de ócio ensolarada, ou mesmo chuvosa, decidiu ir ao cinema para matar o tempo? Quem, depois de um dia de trabalho estressante, já não resolveu “pegar uma sessão” antes de enfrentar a viagem de volta pra casa? Quem nunca fez da dupla cineminha + jantar em companhia daquela pessoa especial o seu programa predileto de fim de semana? E quem, ao conhecer alguém novo, que acabaria por se revelar especial com o tempo, não marcou o primeiro encontro no cinema, onde o filme em cartaz era o que menos importava, pois tudo que queria era ter a chance de trocar o primeiro beijo na sala escura? Não deve existir pessoa no mundo que não tenha boas e más lembranças de uma sessão de cinema. Talvez não seja exagero afirmar que o cinema faz parte da vida e da memória de todo indivíduo nascido a partir de meados do século passado.
As primeiras sessões de cinema são lembranças que não se apagam da memória de nenhuma criança. Atravessar as cortinas e penetrar na sala escura, vindo da claridade da rua, era como penetrar em um mundo mágico, onde coisas maravilhosas estavam por acontecer. O ambiente escuro e silencioso era perfeito para que a nossa atenção ficasse toda voltada para a tela gigantesca. E, durante aproximadamente duas horas esquecíamos o mundo lá fora concentrados apenas na luz que, vindo do fundo da sala, passava por sobre as nossas cabeças para projetar o filme à nossa frente. E, no fim do filme, o acender das luzes, o abrir das portas que nos permitiam voltar a ter contato com o mundo exterior, mostrando todo o movimento e barulho da rua, era como se acordássemos de um sono, para voltarmos a seguir nossa rotina. Experiência marcante por ser tão diferente de assistir um filme na tv, na sala de casa. Essa era a rotina: a sala de casa, clara e barulhenta, o filme que se materializava dentro da pequena tela da televisão. Enquanto a ida ao cinema era a quebra da rotina. Evento extraordinário. Crescemos, as telas diminuem de tamanho, compreendemos racionalmente a dinâmica da projeção que faz o filme “voar” sobre as nossas cabeças, as experiências cinematográficas (boas e ruins) se multiplicam, mas essas primeiras impressões não se apagam. E são elas justamente, creio eu, as responsáveis pela criação de legiões de cinéfilos.
 Flanando - Cinema Carioca Tijuca
A experiência de uma ida ao cinema se modificou bastante com a transformação dos cinemas de rua e o surgimento dos cinemas de shopping lá pelos meados da década de noventa do século passado. Desde a década de 1940 os cinemas eram, além de tudo, marcos da nossa paisagem urbana. Construções imponentes que ajudaram a popularizar a art déco no Brasil, bastava olhá-las para saber que eram cinemas. As antessalas com grandes sofás confortáveis onde esperávamos o início da sessão, escadarias de mármore que levavam aos balcões, grandes lustres e relógios que lembravam estações de trem europeias, além dos imprescindíveis cartazes de filmes que anunciavam as atrações que estavam por vir. Os cinemas destoavam dos outros edifícios comerciais pelo requinte e detalhamento da sua arquitetura sem que isso significasse tratar-se de um divertimento de elite. Pelo contrário, se não estou enganado o cinema chegou a se transformar, em meados do século XX, o divertimento mais popular do Brasil. A ponto de se construírem grandes concentrações de cinemas em determinadas regiões da cidade. No Rio, a Cinelândia ganhou o nome que mantém até hoje justamente por isso. A Praça Saens Peña, na Tijuca, onde assisti as minhas primeiras sessões, era outra área de grande concentração de cinemas. Eles não faziam concorrência uns aos outros. Muito pelo contrário. O público podia até ter a sua sala de cinema preferida (a minha era o Carioca), mas não deixava de frequentar as outras desde que estivessem passando filmes do seu interesse.

Flanando - Cinema Carioca Interior

Mas, no final do mesmo século, a concorrência do videocassete fez esvaziar as grandes salas de quinhentos lugares. E o faturamento começou a não cobrir a despesa da sua manutenção. Primeiro fecharam-se os balcões. Depois, dividiram-se as salas em duas, três a até mais, às vezes. Para tentar multiplicar o público multiplicando a oferta. Alguns cinemas de rua conseguiram uma sobrevida com essa estratégia. Mas, então, começaram a aparecer os cinemas de shopping, que deram o golpe de misericórdia nos antigos cinemas de rua. Foi irresistível para o público a atração de um local onde, além de assistir o seu filme, você ainda podia estacionar o seu carro e fazer o seu lanche pré ou pós-sessão sem se preocupar com a segurança. Essa grande (e justificada) paranoia contemporânea dos grandes centros. E, dessa forma, a sessão de cinema e o jantar com aquela pessoa especial podiam ser feitos no mesmo lugar. Mesmo que isso custasse um pouco mais caro. Ou que a tela fosse um pouco menor e o som vazasse de uma sala para a sua vizinha. Verdade seja dita, esses problemas técnicos foram sendo consertados com o tempo. E hoje os cinemas de shopping têm poltronas bem mais confortáveis do que as antigas poltronas dos cinemas de rua. De qualquer modo, a experiência cinematográfica se modificou. Mas quem está preocupado com isso em uma sociedade cada dia mais pragmática e menos atenta para o mundo à sua volta?
O fato é que os outrora elegantes cinemas se tornaram “elefantes brancos”. E muitos fecharam definitivamente. Na Praça Saens Peña fecharam todos os sete cinemas de rua que existiam. Alguns espaços viraram igrejas evangélicas, que se aproveitaram da estrutura arquitetônica das salas de projeção para fazerem seus cultos. Outros viraram outros tipos de negócio, como farmácias e, até mesmo, lojas de departamento. Esses não tiveram tanta “sorte” quanto os anteriores e tiveram toda a sua arquitetura modificada (para não dizer destruída). Os mais desafortunados foram ao chão para dar lugar a arranha-céus. Ou para dar lugar a nada. Estacionamentos. Vazios urbanos. Terrenos com que se especular. Muito dirão que é melhor ter qualquer coisa funcionando naquele espaço que um dia foi um cinema do que mantê-lo fechado. Poluição visual, dirão outros. O que essas pessoas não percebem é que cada cinema que fecha, que desaparece do espaço urbano sem deixar vestígios para dar lugar a um prédio ou um estacionamento, leva junto um parte da memória da cidade. Que é também a memória dos seus habitantes. Deixa órfãos os milhares de pessoas que ali viveram experiências marcantes. Memórias revividas toda vez que passavam na porta daquele cinema. Se a porta não existe mais, as memórias também desaparecem. Questão de tempo para que nossas lembranças comecem a falhar se não encontram no espaço lugares de memória onde se materializem.

Cinemas são os exemplos mais expressivos da forma como concebo o patrimônio cultural. Mais do que monumentos ou “edifícios históricos”. Nos cinemas está materializada a história da comunidade que circula no seu entorno. Mesmo que parte dessa comunidade nunca o tenha frequentado. Cinema é marco físico, ponto de referência. E deixar um cinema morrer é deixar morrer parte da história da cidade. Por isso, cabe àqueles que se (pre)ocupam com a preservação da memória das cidades preservar os cinemas que ainda restam. Lutar para que eles mantenham o seu uso cultural. Mesmo passem a existir duas ou três salas onde antigamente havia apenas uma, mesmo que o cinema tenha que dividir o seu espaço com uma livraria e um café (tanto melhor), mesmo que não haja mais os grandes e confortáveis sofás ou os lustres e relógios art decó. Se as paredes estiverem de pé, e as portas abertas ao público, essas memórias não se perderão.

Fonte: Sérgio Barra – Flanando

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Conforto no cinema

O Cine Excelsior foi mencionado na matéria sobre projeto de lei que regulamenta cadeiras numeradas em cinema. A publicação foi feita pela Tribuna de Minas em 26 de setembro de 2013.

 

Projeto de cadeira numerada é discutido na Câmara Municipal

Por MARISA LOURES

Realidade em algumas cidades do país, como Belo Horizonte, a obrigatoriedade da venda de cadeiras numeradas nos cinemas de Juiz de Fora é assunto de discussão na Câmara Municipal. De autoria do vereador Jucelio Maria (PSB), o projeto de lei foi apresentado aos parlamentares, pela primeira vez, em março deste ano, e retornou ao plenário ontem. Se aprovado, os ingressos vendidos deverão conter a fila e o número da cadeira escolhida pelo cliente no ato da compra, não podendo os estabelecimentos cobrarem preços diferenciados pelo local da poltrona. Quem descumprir a norma estará sujeito a advertência, multa de 200 vezes o valor da entrada ou o dobro disso, caso seja reincidente. Em enquete realizada ontem no site da Tribuna e publicada na edição de hoje, 61% se mostraram contrários ao projeto.

A proposta deve voltar a ser discutida nesta quinta ou sexta-feira, segundo informou Jucelio, e está com sua tramitação paralisada por vistas pedidas por Wagner de Oliveira (PR). Também já pediram vistas os parlamentares Roberto Cupolillo (Betão, PT) e Noraldino Junior (PSC). “O objetivo é proporcionar mais conforto e bem-estar ao consumidor, que vai poder garantir seu lugar na sala com antecedência, comprando através da internet ou no próprio guichê. Além de acabar com as filas intermináveis, vai evitar conflitos e discussões. O cliente ainda poderá aproveitar o espaço, no caso do shopping, para poder realizar outras atividades enquanto aguarda o filme começar”, defende Jucelio.

De acordo com o parlamentar, a proposição foi elaborada com o auxílio de internautas por meio das redes sociais. “Toda mudança e qualquer forma de civilizar ou disciplinar causa estranhamento, mas é uma ideia que tem dado certo em muitas partes do Brasil e do mundo. O que, inicialmente, parece dificuldade, com o tempo vai significar tranquilidade.”

Consequência para os envolvidos

Gerente de operações da Cinemais, responsável pela cinco salas de cinema do Alameda, Olavo Neto diz que a lei traz benefícios, mas também desvantagens para o consumidor, já que pode interferir nos horários de programação dos filmes. Conforme o gerente, em municípios, como Uberlândia, não existe lei que obrigue a numeração, mas a rede já aplica a medida. “Pode ocorrer atraso nas sessões. As pessoas se confundem, acabam sentando no lugar do outro. Isso dificulta um pouco a acomodação, causa alguns transtornos, mas não é nada impossível de ser coordenado”, diz Neto, explicando que a empresa está pronta para seguir a lei, caso ela seja aprovada aqui na cidade. “As cadeiras têm o local para colocarmos a numeração. O mais difícil é o software que controla, e nós já temos um pronto”, assegura.

Embora nunca tenha tido problema para conseguir o melhor lugar no cinema, o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora e um dos organizadores do Primeiro Plano – Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades, Nilson Alvarenga já teve a experiência de assistir a produções em São Paulo e aprova a iniciativa. “Acho muito bom saber que tenho meu lugar garantido. Claro que muitos vão chegar de última hora e encontrar poucas cadeiras disponíveis, mas se a gente se programar a ideia é muito boa”, opina, ponderando que, em Juiz de Fora, talvez, a medida não traga tantos impactos. “Por aqui, é mais uma questão de escolha. As salas não ficam tão lotadas. Faria diferença em dias de filmes mais concorridos. Porém é razoável pensar nisso, evitaria correria de última hora.”

Na visão de Doroti Mira, pintora que reside em Juiz de Fora há 28 anos, levando em consideração o que é oferecido pelos cinemas daqui, existem questões que merecem estar na ordem de prioridade. “Essa discussão é vazia. Há dias que vou ao cinema, e não tem mais ninguém. A cidade não tem público. Deveriam pensar no Cine Excelsior, que é mais importante.”

Para Adhemar de Oliveira, diretor de programação do Palace, independentemente de aprovação da lei, é preciso ouvir o espectador. “Atuo em locais que têm a obrigatoriedade e em outros que não. Vai muito da plateia. Enquanto operador, isso é indiferente. Ouço falar que a medida tira aquela coisa do impulso, o cinema começa a virar coisa planejada como o teatro. Raramente você decide ver um espetáculo de última hora”, comenta.

Fonte: Tribuna de Minas

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Fechado há 14 anos, Cine Brasil será reaberto como centro cultural

Matéria publicada no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, sobre a reabertura do Cine Theatro Brasil. Enquanto a capital do estado dá o exemplo, Juiz de Fora menospreza o a história do audiovisual local.

Novo Cine Theatro Brasil-03

Bruno Moreno

As cortinas ainda não se abriram, mas os tapumes que cercavam o Cine Theatro Brasil, na Praça 7, Centro da capital, foram retirados na manhã de terça-feira (10). Com toda a fachada à mostra, falta pouco para os belo-horizontinos conferirem como ficou a reconstrução do último cinema de rua tradicional da cidade.

A ansiedade vai durar pouco menos de um mês. Em 8 de outubro, as portas serão abertas ao público com a exposição Guerra e Paz, de Candido Portinari, composta por dois imensos painéis de 140 m² cada (10 metros de largura x 14 metros de altura), expostos no palco principal.

Juntas, as peças pesam mais de uma tonelada. A dimensão equivale quase ao dobro de um apartamento de dois quartos. Pelo tamanho majestoso, o palco do Cine Theatro Brasil, com 22 metros de pé direito, foi o único espaço em Belo Horizonte selecionado pela curadoria da exposição para recebê-la.

Além dos painéis, serão apresentadas obras de arte relacionadas ao tema, assim como estudos feitos por Portinari, na década de 50, para compor as telas. Esse “complemento” será exposto em um novo salão, construído acima do antigo telhado do prédio, graças a tubos de aço.

Toda a estrutura foi feita pela siderúrgica Vallourec. Por meio da Fundação Sidertube, mantida pela empresa e dona do prédio, foram investidos R$ 53 milhões na reconstrução, sendo R$ 29 milhões da Lei Federal de Incentivo à Cultura e R$ 24 milhões próprios.

A obra começou em 2007 e a inauguração foi adiada diversas vezes. Dentre os motivos estão o detalhamento exigido para a reconstrução e algumas “surpresas” – uma delas no teatro principal, onde estão as pinturas geométricas do artista plástico italiano Ângelo Biggi. Entretanto, para encontrá-las foi preciso raspar até cinco camadas de tinta.

Hora marcada

A exposição ficará aberta até 24 de novembro, com entrada gratuita, entre 10 e 19 horas. Os visitantes serão guiados em grupos, a cada hora.
A programação começa com a exibição de um filme no grande teatro. Em seguida, serão apresentados os painéis. Na sequência, o grupo subirá ao novo salão, onde estarão os estudos de Portinari e outras obras relacionadas ao tema.

As telas gigantes foram pintadas a pedido da Organização das Nações Unidas (ONU), entre 1952 e 1956, e instaladas no hall da sede, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Em 2010, durante uma reforma no espaço, as obras vieram excursionar no Brasil pela primeira vez. Já passaram pelo Rio de Janeiro e por São Paulo. No ano que vem, deverão voltar aos EUA.

Fonte: Hoje em Dia

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Cine Theatro Brasil retorna repaginado

Enquanto Juiz de Fora caminha cada vez mais rumo ao passado, Belo Horizonte recupera os seus espaços cinematográficos e de disseminação da Cultura, reabrindo o Cine Theatro Brasil. Matéria publicada no jornal O Tempo, de Belo Horizonte, em 11 de setembro de 2013.

Novo Cine Theatro Brasil-02

Espaço integra a Virada Cultural exibindo filme na rua

Carlos Andrei Siquara

Após seis anos em reforma, o Cine Theatro Brasil, localizado na praça Sete, teve a sua área externa liberada ontem de manhã, com a retirada dos tapumes que acompanharam o longo processo de restauração orçado em R$ 53 milhões.

Continue lendo “Cine Theatro Brasil retorna repaginado”

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Amigos do Cine Excelsior

escrevendo cartaRecebemos este texto, escrito por Roberto Groia (Advogado e Escritor – Membro da Academia Juizforana de Letras), cuja reprodução integral fazemos abaixo:

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Acompanho este movimento desde o seu inicio, com muito interesse.

É um movimento cidadão, pautado pelo bom gosto cultural e enxertado de ideologia cívica, genuína ao apego que se tem pelas causas honestas e de bom tom, com o juízo predominando o seu curso. Causas necessárias, pontuais, cujo objetivo é a convicção de que algo não vai bem dentro da sociedade em que se delimitam os caminhos do bom senso, no caso, a nossa urbanidade.

Pois bem, o movimento, muito bem articulado, evoca a manifestação para que seja preservado um patrimônio cultural, definitivamente marcado na memória da cidade, durante décadas, com um brilho admirável, irretocável portanto. O magnífico Cine Excelsior!

Ao se ter acesso ao “blog” do movimento, deparamos com um somatório de incredulidades jamais pensadas, pois que a mutilação de um espaço cultural é, de princípio, inadmissível em qualquer local civilizado, quanto mais quando acontece na nossa cidade, humilhando o nosso prazer e querer ver progresso e memória nos abraçando, ao invés, ver o orgulho e a conquista serem vilipendiados de uma maneira cruel, insana.

As administrações municipais não foram conscientes e não tiveram respeito com a causa que o movimento realça; é nítida a incoerência de atitudes que não observaram o apego evidente que o Movimento coloca à tona, quando de sua criação e divulgação; fica claro que jamais houve empenho para dar solução à uma reivindicação tão justa quanto ao delatado pelo movimento.

Observa-se o despropósito politiqueiro que olvidou o óbvio, qual seja a manutenção de um espaço cultural do nível de um Cine Excelsior, até chegar-se ao ponto de vê-lo transformado em um estacionamento, misteriosamente transformado para tal fim, para o espanto dos transeuntes e demais pessoas que não entendem nem concebem uma obra tão sinistra perante o que era.

A falta de transparência na aquisição do imóvel para terceiros que definitivamente não são do ramo da cultura, deixa evidenciado que houve articulações de bastidores na obtenção de alvarás e afins, fato que consta de ações judiciais a serem julgadas, ações estas propostas pelo movimento “Salvem o Cinema Excelsior”. Por outra, causa estranheza que nenhum vizinho ao redor do prédio onde fica o cinema, tenha sido consultado, uma mudança feita às escondidas como uma coisa proibida e malsã, na calada da noite, sorrateira e por que não medrosa?

Não há vergonha alguma que os proprietários atuais não sejam afetos à cultura. Claro que não, ao observar-se que a ambição, a cobiça e a ganância, não fazem parte deste clã de fariseus, sem o mínimo glamour e estirpe para entregar-se ao mundo da realeza! Se são ricos, deveriam saber que a riqueza advém de outras fontes que não só o dinheiro explica, visto que ele é uma mazela adquirida através de muita injustiça e “espezinhamento” pelos caminhos que percorrem os marajás!

Porém o movimento está aí. Poder-se-ia dizer que ele nasceu vitorioso pela astúcia de vir a público demonstrar seu potencial em expor história, passado, memória e principalmente lutar pelo que, a quem cabia obstar esse desastre negocial, sequer se defendesse de suas posições sobre o assunto, sequer dessa satisfação à cidade e aos seus cidadãos, que essa obra é vergonhosa o que prova que a questão está nublada de esclarecimentos plausíveis.

Todo movimento como o em questão, possui vida, seu conteúdo é verdade, sua expressão condiz com a paixão que possuem os autênticos líderes.

Resta saber até quando o poder econômico vai imperar em suas manifestações de poder, na contra mão do empreendedorismo sincero e útil a todos. O movimento do passe livre está aí para dar a resposta.

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Reivindicações do Plano Municipal da Juventude de Juiz de Fora

Reivindicações do Plano Municipal da Juventude de Juiz de Fora que já havia sido entregue à Prefeitura.

Está lá: CRIAÇÃO DE CENTROS CULTURAIS.

O Movimento de Preservação do Cine Excelsior esteve presente nesta discussão e já foi REITERADAS VEZES CITADO como NECESSIDADE para o resgate daquele espaço para a municipalidade, transformando-o em um NOVO CENTRO CULTURAL NA CIDADE.

Reinvindicações

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Eu nunca entendi Godard

Texto escrito por Artur Xexéo, colunista da Revista d’O Globo:

Deu no jornal que um centro cultural carioca prepara, ainda para este ano, a maior mostra já feita no país de filmes de Godard. Ressalvando o direito de qualquer centro cultural organizar mostras sobre qualquer cineasta, não consigo deixar de perguntar: por quê? Será que é para ver se desta vez, a gente entende?

Já disse aqui, mais de uma vez, que não fiz parte da Geração Paissandu. Embora todo mundo acredite, talvez pela minha aparência, que eu já assistia às sessões de cinematógrafo na Rua do Ouvidor, eu era menor de idade quando a nouvelle vague brilhava na sala da Rua Senador Vergueiro.

Godard já tinha feito alguns de seus melhores… hummm… mais bem sucedidos filmes quando um de seus títulos me chamou a atenção. Era “Duas ou três coisas que eu sei dela”, de 1967, que esteve em cartaz no Cine Excelsior, em Juiz de Fora. O mundo já tinha visto “Acossado”, “O desprezo” e “Alphaville”, quando “Duas ou três coisas…’ apareceu. O que me atraía no filme era mesmo o título. Parecia-me enigmático. Quando li no jornal que era “uma espécie de documentário’, fiquei mais curioso. Como um documentário poderia ser “uma espécie de”? Quando soube que a “ela” do título era Paris e não uma mulher, fiquei mais intrigado ainda. Ou Godard estava querendo me dizer que Paris era uma mulher? Não cheguei a ver o filme. Ele ficou só três dias no Excelsior. Juiz de Fora, definitivamente, não estava preparada para “uma espécie de documentário’. Nunca entendi por que “Duas ou três coisas que eu sei dela” foi programado pelo cinema. O Excelsior era onde a gente assistia à “A noviça rebelde”. Dá para imaginar a reação de sua plateia diante de um Godard.

Só fui conhecer Godard de verdade quando o Cinema I, a sala da Prado Júnior, se transformou numa espécie de enciclopédia de cinema para cinéfilos da minha geração. Era Godard todo sábado à meia noite. “Made in USA”, “A chinesa”, “Weekend à francesa”… Logo fiz minha lista de favoritos: “Alphaville”, “O demônio das onze horas”… aqui é preciso esclarecer um ponto para quem vai se iniciar em Godard na tal mostra em preparação. Nunca diga o nome de um filme de Godard em sua versão brasileira. “O demônio das onze horas”, então, é “Pierrot le fou”, como no original. “Masculino-Feminino” vira “Masculin-Feminin”. Godard em francês é mais inteligente.

Passei horas no Cervantes discutindo cada plano de cada filme de Godard com meus companheiros de madrugadas no Cinema I. Muitos desses planos eu sequer tinha visto. Agora confesso: Godard me convidava ao sono. Assisti a “Pierrot Le fou” recentemente num canal a cabo e, no fim, só fiquei com uma questão: por que cargas d’água eu dizia que gostava disso?

Tem um Godard de que gosto até hoje. É um curta-metragem _ ‘Montparnasse-Levallois” _, um dos segmentos do filme em episódios “Paris vu par…” (nunca na História deste país alguém chamou o filme de “Paris visto por…”). É uma historinha com começo, meio e fim. Uma brincadeira sobre um desencontro amoroso. Nem parece um filme do cineasta. Um Godard romântico e irresistível. É só. No mais, não tenho vergonha de admitir: eu nunca entendi Godard. Mas vou aproveitar a supermostra para, enfim, conhecer “Duas ou três coisas que eu sei dela”.

Fonte: Blog do Xexéo

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Manifestantes se organizam para reinvindicar exigências a vereadores e prefeito

Matéria publicada no Diário Regional de 25 de junho de 2013.

(Clique na imagem para ampliar)

DR 25-06-2013

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Amigos do Cine Excelsior no Mesa de Debates

Na Mesa de Debates de hoje, a Associação Amigos do Cine Excelsior estará presente.
Mesa de Debates

A Mesa vai ao ar às 11h, ao vivo, com reprise às 17h35, na TVE canal 12. Não Perca!

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Manifestantes esperam resposta até quinta

Matéria publicada na Tribuna de Minas de 25 de junho de 2013. O Movimento “Salvem o Cine Excelsior” esteve presente na Câmara Municipal junto aos manifestantes.

Documento foi entregue à PJF e Câmara. Executivo afirma que algumas das propostas já fazem parte da ‘rotina de ações implementadas’

Por Renato Salles

Cerca de cem manifestantes ocuparam as dependências da Câmara

Cerca de cem manifestantes ocuparam as dependências da Câmara

As manifestações do movimento conhecido como “Junta Brasil” chegaram à Câmara Municipal na tarde desta segunda-feira (24), quando uma comissão formada por nove pessoas entregou um documento ao presidente do Legislativo, Julio Gasparette (PMDB), e ao secretário do Governo Bruno Siqueira (PMDB), José Sóter de Figueirôa, que representou o Executivo em audiência pública realizada momentos antes do encontro com os manifestantes. Composta por quatro itens principais, a relação é encabeçada por pedidos referentes ao sistema de transporte público urbano, como a redução da tarifas e a celeridade na realização de processo licitatório para o serviço. O documento reivindica ainda a redução de vencimentos e benefícios de vereadores e prefeito, a retirada de tramitação e veto do prefeito Bruno Siqueira (PMDB) aos projetos de lei que alteraram as leis de edificações e de uso e ocupação do solo e a retomada das obras do Hospital Regional da Zona da Mata. Segundo a carta, o grupo aguarda posição oficial do Município e do Parlamento em três dias úteis. O prazo se encerra quinta-feira, quando novo ato público deve acontecer nas ruas da cidade.

No início da noite, a Prefeitura reiterou o respeito às manifestações pacíficas que acontecem na cidade desde a semana passada. Em nota, a PJF afirmou que “alguns pontos destacados pelo movimento já fazem parte da rotina de ações implementadas pela Administração.” Sobre o transporte coletivo, afirma que o reajuste anual que aconteceria em julho, influenciado por aumentos dos combustíveis e recomposição salarial dos profissionais do setor, tornou-se desnecessário no momento, após desonerações tributárias concedidas pelo Governo federal. “Cabe explicar que os municípios que estão diminuindo a tarifa já tinham praticado o reajuste nos meses anteriores, o que não é o caso de Juiz de Fora.”

O Executivo declarou ainda que está trabalhando para realizar a licitação do transporte urbano. Uma portaria publicada nesta segunda oficializou a comissão especial para acompanhar a concorrência iniciada pelo ex-prefeito Custódio Mattos (PSDB), parada no Tribunal de Contas do Estado (TCE), e buscar alternativas caso o processo não possa ser retomado. “Outros temas abordados também já estão sendo executados, como a homologação da nova licitação do Hospital Regional na última semana”, diz a nota. Uma decisão de Bruno sobre o projeto que altera o uso e ocupação do solo é esperada para esta semana.

 

Plano Diretor

A Câmara também se mobilizou no sentido de dar as primeiras respostas às reivindicações. Nesta segunda, o presidente do Legislativo anunciou a formação de comissão especial para intensificar os debates sobre a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal, que englobaria as discussões a respeita das alterações na lei de edificações e de uso e ocupação do solo, como as que tramitam na Casa. O grupo será formado por José Márcio (PV), Vagner de Oliveira (PR) e Roberto Cupolillo (Betão, PT). Gasparette também convocou para esta quarta uma reunião entre os vereadores para avaliar os pedidos dos manifestantes. “O povo tem o direito de reivindicar melhorias, e os vereadores reconhecem a legitimidade do movimento. Vários pontos abordados pelos manifestantes estão na pauta de discussões do Legislativo”, diz nota oficial assinada por Gasparette.

Com quatro horas de duração, entre 14h e 18h, a manifestação desta segunda levou um número menor de pessoas às ruas, quando comparada com os três atos anteriores. A estimativa da Polícia Militar (PM) e de integrantes da ação é de que cerca de 200 manifestantes fizeram parte do protesto e que aproximadamente cem ocuparam as dependências da Câmara. Mais uma vez, a movimentação ocorreu de forma pacífica e foi monitorada por 84 policiais. Como o grupo se manteve nas imediações do Palácio Barbosa Lima, o trânsito nas vias da cidade não chegou a ser comprometido.

Fonte: Tribuna de Minas

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