Cinemas, Lugares de Memória

Belo texto gentilmente cedido pelo professor da UFJF Sérgio Barra, doutor em História Social da Cultura e especialista em Patrimônio Cultural, que reproduzimos aqui no blog.

Flanando - Sala de Cinema

Sérgio Barra

Quem nunca, em uma tarde de ócio ensolarada, ou mesmo chuvosa, decidiu ir ao cinema para matar o tempo? Quem, depois de um dia de trabalho estressante, já não resolveu “pegar uma sessão” antes de enfrentar a viagem de volta pra casa? Quem nunca fez da dupla cineminha + jantar em companhia daquela pessoa especial o seu programa predileto de fim de semana? E quem, ao conhecer alguém novo, que acabaria por se revelar especial com o tempo, não marcou o primeiro encontro no cinema, onde o filme em cartaz era o que menos importava, pois tudo que queria era ter a chance de trocar o primeiro beijo na sala escura? Não deve existir pessoa no mundo que não tenha boas e más lembranças de uma sessão de cinema. Talvez não seja exagero afirmar que o cinema faz parte da vida e da memória de todo indivíduo nascido a partir de meados do século passado.
As primeiras sessões de cinema são lembranças que não se apagam da memória de nenhuma criança. Atravessar as cortinas e penetrar na sala escura, vindo da claridade da rua, era como penetrar em um mundo mágico, onde coisas maravilhosas estavam por acontecer. O ambiente escuro e silencioso era perfeito para que a nossa atenção ficasse toda voltada para a tela gigantesca. E, durante aproximadamente duas horas esquecíamos o mundo lá fora concentrados apenas na luz que, vindo do fundo da sala, passava por sobre as nossas cabeças para projetar o filme à nossa frente. E, no fim do filme, o acender das luzes, o abrir das portas que nos permitiam voltar a ter contato com o mundo exterior, mostrando todo o movimento e barulho da rua, era como se acordássemos de um sono, para voltarmos a seguir nossa rotina. Experiência marcante por ser tão diferente de assistir um filme na tv, na sala de casa. Essa era a rotina: a sala de casa, clara e barulhenta, o filme que se materializava dentro da pequena tela da televisão. Enquanto a ida ao cinema era a quebra da rotina. Evento extraordinário. Crescemos, as telas diminuem de tamanho, compreendemos racionalmente a dinâmica da projeção que faz o filme “voar” sobre as nossas cabeças, as experiências cinematográficas (boas e ruins) se multiplicam, mas essas primeiras impressões não se apagam. E são elas justamente, creio eu, as responsáveis pela criação de legiões de cinéfilos.
 Flanando - Cinema Carioca Tijuca
A experiência de uma ida ao cinema se modificou bastante com a transformação dos cinemas de rua e o surgimento dos cinemas de shopping lá pelos meados da década de noventa do século passado. Desde a década de 1940 os cinemas eram, além de tudo, marcos da nossa paisagem urbana. Construções imponentes que ajudaram a popularizar a art déco no Brasil, bastava olhá-las para saber que eram cinemas. As antessalas com grandes sofás confortáveis onde esperávamos o início da sessão, escadarias de mármore que levavam aos balcões, grandes lustres e relógios que lembravam estações de trem europeias, além dos imprescindíveis cartazes de filmes que anunciavam as atrações que estavam por vir. Os cinemas destoavam dos outros edifícios comerciais pelo requinte e detalhamento da sua arquitetura sem que isso significasse tratar-se de um divertimento de elite. Pelo contrário, se não estou enganado o cinema chegou a se transformar, em meados do século XX, o divertimento mais popular do Brasil. A ponto de se construírem grandes concentrações de cinemas em determinadas regiões da cidade. No Rio, a Cinelândia ganhou o nome que mantém até hoje justamente por isso. A Praça Saens Peña, na Tijuca, onde assisti as minhas primeiras sessões, era outra área de grande concentração de cinemas. Eles não faziam concorrência uns aos outros. Muito pelo contrário. O público podia até ter a sua sala de cinema preferida (a minha era o Carioca), mas não deixava de frequentar as outras desde que estivessem passando filmes do seu interesse.

Flanando - Cinema Carioca Interior

Mas, no final do mesmo século, a concorrência do videocassete fez esvaziar as grandes salas de quinhentos lugares. E o faturamento começou a não cobrir a despesa da sua manutenção. Primeiro fecharam-se os balcões. Depois, dividiram-se as salas em duas, três a até mais, às vezes. Para tentar multiplicar o público multiplicando a oferta. Alguns cinemas de rua conseguiram uma sobrevida com essa estratégia. Mas, então, começaram a aparecer os cinemas de shopping, que deram o golpe de misericórdia nos antigos cinemas de rua. Foi irresistível para o público a atração de um local onde, além de assistir o seu filme, você ainda podia estacionar o seu carro e fazer o seu lanche pré ou pós-sessão sem se preocupar com a segurança. Essa grande (e justificada) paranoia contemporânea dos grandes centros. E, dessa forma, a sessão de cinema e o jantar com aquela pessoa especial podiam ser feitos no mesmo lugar. Mesmo que isso custasse um pouco mais caro. Ou que a tela fosse um pouco menor e o som vazasse de uma sala para a sua vizinha. Verdade seja dita, esses problemas técnicos foram sendo consertados com o tempo. E hoje os cinemas de shopping têm poltronas bem mais confortáveis do que as antigas poltronas dos cinemas de rua. De qualquer modo, a experiência cinematográfica se modificou. Mas quem está preocupado com isso em uma sociedade cada dia mais pragmática e menos atenta para o mundo à sua volta?
O fato é que os outrora elegantes cinemas se tornaram “elefantes brancos”. E muitos fecharam definitivamente. Na Praça Saens Peña fecharam todos os sete cinemas de rua que existiam. Alguns espaços viraram igrejas evangélicas, que se aproveitaram da estrutura arquitetônica das salas de projeção para fazerem seus cultos. Outros viraram outros tipos de negócio, como farmácias e, até mesmo, lojas de departamento. Esses não tiveram tanta “sorte” quanto os anteriores e tiveram toda a sua arquitetura modificada (para não dizer destruída). Os mais desafortunados foram ao chão para dar lugar a arranha-céus. Ou para dar lugar a nada. Estacionamentos. Vazios urbanos. Terrenos com que se especular. Muito dirão que é melhor ter qualquer coisa funcionando naquele espaço que um dia foi um cinema do que mantê-lo fechado. Poluição visual, dirão outros. O que essas pessoas não percebem é que cada cinema que fecha, que desaparece do espaço urbano sem deixar vestígios para dar lugar a um prédio ou um estacionamento, leva junto um parte da memória da cidade. Que é também a memória dos seus habitantes. Deixa órfãos os milhares de pessoas que ali viveram experiências marcantes. Memórias revividas toda vez que passavam na porta daquele cinema. Se a porta não existe mais, as memórias também desaparecem. Questão de tempo para que nossas lembranças comecem a falhar se não encontram no espaço lugares de memória onde se materializem.

Cinemas são os exemplos mais expressivos da forma como concebo o patrimônio cultural. Mais do que monumentos ou “edifícios históricos”. Nos cinemas está materializada a história da comunidade que circula no seu entorno. Mesmo que parte dessa comunidade nunca o tenha frequentado. Cinema é marco físico, ponto de referência. E deixar um cinema morrer é deixar morrer parte da história da cidade. Por isso, cabe àqueles que se (pre)ocupam com a preservação da memória das cidades preservar os cinemas que ainda restam. Lutar para que eles mantenham o seu uso cultural. Mesmo passem a existir duas ou três salas onde antigamente havia apenas uma, mesmo que o cinema tenha que dividir o seu espaço com uma livraria e um café (tanto melhor), mesmo que não haja mais os grandes e confortáveis sofás ou os lustres e relógios art decó. Se as paredes estiverem de pé, e as portas abertas ao público, essas memórias não se perderão.

Fonte: Sérgio Barra – Flanando

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Conforto no cinema

O Cine Excelsior foi mencionado na matéria sobre projeto de lei que regulamenta cadeiras numeradas em cinema. A publicação foi feita pela Tribuna de Minas em 26 de setembro de 2013.

 

Projeto de cadeira numerada é discutido na Câmara Municipal

Por MARISA LOURES

Realidade em algumas cidades do país, como Belo Horizonte, a obrigatoriedade da venda de cadeiras numeradas nos cinemas de Juiz de Fora é assunto de discussão na Câmara Municipal. De autoria do vereador Jucelio Maria (PSB), o projeto de lei foi apresentado aos parlamentares, pela primeira vez, em março deste ano, e retornou ao plenário ontem. Se aprovado, os ingressos vendidos deverão conter a fila e o número da cadeira escolhida pelo cliente no ato da compra, não podendo os estabelecimentos cobrarem preços diferenciados pelo local da poltrona. Quem descumprir a norma estará sujeito a advertência, multa de 200 vezes o valor da entrada ou o dobro disso, caso seja reincidente. Em enquete realizada ontem no site da Tribuna e publicada na edição de hoje, 61% se mostraram contrários ao projeto.

A proposta deve voltar a ser discutida nesta quinta ou sexta-feira, segundo informou Jucelio, e está com sua tramitação paralisada por vistas pedidas por Wagner de Oliveira (PR). Também já pediram vistas os parlamentares Roberto Cupolillo (Betão, PT) e Noraldino Junior (PSC). “O objetivo é proporcionar mais conforto e bem-estar ao consumidor, que vai poder garantir seu lugar na sala com antecedência, comprando através da internet ou no próprio guichê. Além de acabar com as filas intermináveis, vai evitar conflitos e discussões. O cliente ainda poderá aproveitar o espaço, no caso do shopping, para poder realizar outras atividades enquanto aguarda o filme começar”, defende Jucelio.

De acordo com o parlamentar, a proposição foi elaborada com o auxílio de internautas por meio das redes sociais. “Toda mudança e qualquer forma de civilizar ou disciplinar causa estranhamento, mas é uma ideia que tem dado certo em muitas partes do Brasil e do mundo. O que, inicialmente, parece dificuldade, com o tempo vai significar tranquilidade.”

Consequência para os envolvidos

Gerente de operações da Cinemais, responsável pela cinco salas de cinema do Alameda, Olavo Neto diz que a lei traz benefícios, mas também desvantagens para o consumidor, já que pode interferir nos horários de programação dos filmes. Conforme o gerente, em municípios, como Uberlândia, não existe lei que obrigue a numeração, mas a rede já aplica a medida. “Pode ocorrer atraso nas sessões. As pessoas se confundem, acabam sentando no lugar do outro. Isso dificulta um pouco a acomodação, causa alguns transtornos, mas não é nada impossível de ser coordenado”, diz Neto, explicando que a empresa está pronta para seguir a lei, caso ela seja aprovada aqui na cidade. “As cadeiras têm o local para colocarmos a numeração. O mais difícil é o software que controla, e nós já temos um pronto”, assegura.

Embora nunca tenha tido problema para conseguir o melhor lugar no cinema, o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora e um dos organizadores do Primeiro Plano – Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades, Nilson Alvarenga já teve a experiência de assistir a produções em São Paulo e aprova a iniciativa. “Acho muito bom saber que tenho meu lugar garantido. Claro que muitos vão chegar de última hora e encontrar poucas cadeiras disponíveis, mas se a gente se programar a ideia é muito boa”, opina, ponderando que, em Juiz de Fora, talvez, a medida não traga tantos impactos. “Por aqui, é mais uma questão de escolha. As salas não ficam tão lotadas. Faria diferença em dias de filmes mais concorridos. Porém é razoável pensar nisso, evitaria correria de última hora.”

Na visão de Doroti Mira, pintora que reside em Juiz de Fora há 28 anos, levando em consideração o que é oferecido pelos cinemas daqui, existem questões que merecem estar na ordem de prioridade. “Essa discussão é vazia. Há dias que vou ao cinema, e não tem mais ninguém. A cidade não tem público. Deveriam pensar no Cine Excelsior, que é mais importante.”

Para Adhemar de Oliveira, diretor de programação do Palace, independentemente de aprovação da lei, é preciso ouvir o espectador. “Atuo em locais que têm a obrigatoriedade e em outros que não. Vai muito da plateia. Enquanto operador, isso é indiferente. Ouço falar que a medida tira aquela coisa do impulso, o cinema começa a virar coisa planejada como o teatro. Raramente você decide ver um espetáculo de última hora”, comenta.

Fonte: Tribuna de Minas

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Fechado há 14 anos, Cine Brasil será reaberto como centro cultural

Matéria publicada no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, sobre a reabertura do Cine Theatro Brasil. Enquanto a capital do estado dá o exemplo, Juiz de Fora menospreza o a história do audiovisual local.

Novo Cine Theatro Brasil-03

Bruno Moreno

As cortinas ainda não se abriram, mas os tapumes que cercavam o Cine Theatro Brasil, na Praça 7, Centro da capital, foram retirados na manhã de terça-feira (10). Com toda a fachada à mostra, falta pouco para os belo-horizontinos conferirem como ficou a reconstrução do último cinema de rua tradicional da cidade.

A ansiedade vai durar pouco menos de um mês. Em 8 de outubro, as portas serão abertas ao público com a exposição Guerra e Paz, de Candido Portinari, composta por dois imensos painéis de 140 m² cada (10 metros de largura x 14 metros de altura), expostos no palco principal.

Juntas, as peças pesam mais de uma tonelada. A dimensão equivale quase ao dobro de um apartamento de dois quartos. Pelo tamanho majestoso, o palco do Cine Theatro Brasil, com 22 metros de pé direito, foi o único espaço em Belo Horizonte selecionado pela curadoria da exposição para recebê-la.

Além dos painéis, serão apresentadas obras de arte relacionadas ao tema, assim como estudos feitos por Portinari, na década de 50, para compor as telas. Esse “complemento” será exposto em um novo salão, construído acima do antigo telhado do prédio, graças a tubos de aço.

Toda a estrutura foi feita pela siderúrgica Vallourec. Por meio da Fundação Sidertube, mantida pela empresa e dona do prédio, foram investidos R$ 53 milhões na reconstrução, sendo R$ 29 milhões da Lei Federal de Incentivo à Cultura e R$ 24 milhões próprios.

A obra começou em 2007 e a inauguração foi adiada diversas vezes. Dentre os motivos estão o detalhamento exigido para a reconstrução e algumas “surpresas” – uma delas no teatro principal, onde estão as pinturas geométricas do artista plástico italiano Ângelo Biggi. Entretanto, para encontrá-las foi preciso raspar até cinco camadas de tinta.

Hora marcada

A exposição ficará aberta até 24 de novembro, com entrada gratuita, entre 10 e 19 horas. Os visitantes serão guiados em grupos, a cada hora.
A programação começa com a exibição de um filme no grande teatro. Em seguida, serão apresentados os painéis. Na sequência, o grupo subirá ao novo salão, onde estarão os estudos de Portinari e outras obras relacionadas ao tema.

As telas gigantes foram pintadas a pedido da Organização das Nações Unidas (ONU), entre 1952 e 1956, e instaladas no hall da sede, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Em 2010, durante uma reforma no espaço, as obras vieram excursionar no Brasil pela primeira vez. Já passaram pelo Rio de Janeiro e por São Paulo. No ano que vem, deverão voltar aos EUA.

Fonte: Hoje em Dia

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Cine Theatro Brasil retorna repaginado

Enquanto Juiz de Fora caminha cada vez mais rumo ao passado, Belo Horizonte recupera os seus espaços cinematográficos e de disseminação da Cultura, reabrindo o Cine Theatro Brasil. Matéria publicada no jornal O Tempo, de Belo Horizonte, em 11 de setembro de 2013.

Novo Cine Theatro Brasil-02

Espaço integra a Virada Cultural exibindo filme na rua

Carlos Andrei Siquara

Após seis anos em reforma, o Cine Theatro Brasil, localizado na praça Sete, teve a sua área externa liberada ontem de manhã, com a retirada dos tapumes que acompanharam o longo processo de restauração orçado em R$ 53 milhões.

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Reivindicações do Plano Municipal da Juventude de Juiz de Fora

Reivindicações do Plano Municipal da Juventude de Juiz de Fora que já havia sido entregue à Prefeitura.

Está lá: CRIAÇÃO DE CENTROS CULTURAIS.

O Movimento de Preservação do Cine Excelsior esteve presente nesta discussão e já foi REITERADAS VEZES CITADO como NECESSIDADE para o resgate daquele espaço para a municipalidade, transformando-o em um NOVO CENTRO CULTURAL NA CIDADE.

Reinvindicações

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Eu nunca entendi Godard

Texto escrito por Artur Xexéo, colunista da Revista d’O Globo:

Deu no jornal que um centro cultural carioca prepara, ainda para este ano, a maior mostra já feita no país de filmes de Godard. Ressalvando o direito de qualquer centro cultural organizar mostras sobre qualquer cineasta, não consigo deixar de perguntar: por quê? Será que é para ver se desta vez, a gente entende?

Já disse aqui, mais de uma vez, que não fiz parte da Geração Paissandu. Embora todo mundo acredite, talvez pela minha aparência, que eu já assistia às sessões de cinematógrafo na Rua do Ouvidor, eu era menor de idade quando a nouvelle vague brilhava na sala da Rua Senador Vergueiro.

Godard já tinha feito alguns de seus melhores… hummm… mais bem sucedidos filmes quando um de seus títulos me chamou a atenção. Era “Duas ou três coisas que eu sei dela”, de 1967, que esteve em cartaz no Cine Excelsior, em Juiz de Fora. O mundo já tinha visto “Acossado”, “O desprezo” e “Alphaville”, quando “Duas ou três coisas…’ apareceu. O que me atraía no filme era mesmo o título. Parecia-me enigmático. Quando li no jornal que era “uma espécie de documentário’, fiquei mais curioso. Como um documentário poderia ser “uma espécie de”? Quando soube que a “ela” do título era Paris e não uma mulher, fiquei mais intrigado ainda. Ou Godard estava querendo me dizer que Paris era uma mulher? Não cheguei a ver o filme. Ele ficou só três dias no Excelsior. Juiz de Fora, definitivamente, não estava preparada para “uma espécie de documentário’. Nunca entendi por que “Duas ou três coisas que eu sei dela” foi programado pelo cinema. O Excelsior era onde a gente assistia à “A noviça rebelde”. Dá para imaginar a reação de sua plateia diante de um Godard.

Só fui conhecer Godard de verdade quando o Cinema I, a sala da Prado Júnior, se transformou numa espécie de enciclopédia de cinema para cinéfilos da minha geração. Era Godard todo sábado à meia noite. “Made in USA”, “A chinesa”, “Weekend à francesa”… Logo fiz minha lista de favoritos: “Alphaville”, “O demônio das onze horas”… aqui é preciso esclarecer um ponto para quem vai se iniciar em Godard na tal mostra em preparação. Nunca diga o nome de um filme de Godard em sua versão brasileira. “O demônio das onze horas”, então, é “Pierrot le fou”, como no original. “Masculino-Feminino” vira “Masculin-Feminin”. Godard em francês é mais inteligente.

Passei horas no Cervantes discutindo cada plano de cada filme de Godard com meus companheiros de madrugadas no Cinema I. Muitos desses planos eu sequer tinha visto. Agora confesso: Godard me convidava ao sono. Assisti a “Pierrot Le fou” recentemente num canal a cabo e, no fim, só fiquei com uma questão: por que cargas d’água eu dizia que gostava disso?

Tem um Godard de que gosto até hoje. É um curta-metragem _ ‘Montparnasse-Levallois” _, um dos segmentos do filme em episódios “Paris vu par…” (nunca na História deste país alguém chamou o filme de “Paris visto por…”). É uma historinha com começo, meio e fim. Uma brincadeira sobre um desencontro amoroso. Nem parece um filme do cineasta. Um Godard romântico e irresistível. É só. No mais, não tenho vergonha de admitir: eu nunca entendi Godard. Mas vou aproveitar a supermostra para, enfim, conhecer “Duas ou três coisas que eu sei dela”.

Fonte: Blog do Xexéo

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Manifestantes se organizam para reinvindicar exigências a vereadores e prefeito

Matéria publicada no Diário Regional de 25 de junho de 2013.

(Clique na imagem para ampliar)

DR 25-06-2013

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Amigos do Cine Excelsior no Mesa de Debates

Na Mesa de Debates de hoje, a Associação Amigos do Cine Excelsior estará presente.
Mesa de Debates

A Mesa vai ao ar às 11h, ao vivo, com reprise às 17h35, na TVE canal 12. Não Perca!

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Manifestantes esperam resposta até quinta

Matéria publicada na Tribuna de Minas de 25 de junho de 2013. O Movimento “Salvem o Cine Excelsior” esteve presente na Câmara Municipal junto aos manifestantes.

Documento foi entregue à PJF e Câmara. Executivo afirma que algumas das propostas já fazem parte da ‘rotina de ações implementadas’

Por Renato Salles

Cerca de cem manifestantes ocuparam as dependências da Câmara

Cerca de cem manifestantes ocuparam as dependências da Câmara

As manifestações do movimento conhecido como “Junta Brasil” chegaram à Câmara Municipal na tarde desta segunda-feira (24), quando uma comissão formada por nove pessoas entregou um documento ao presidente do Legislativo, Julio Gasparette (PMDB), e ao secretário do Governo Bruno Siqueira (PMDB), José Sóter de Figueirôa, que representou o Executivo em audiência pública realizada momentos antes do encontro com os manifestantes. Composta por quatro itens principais, a relação é encabeçada por pedidos referentes ao sistema de transporte público urbano, como a redução da tarifas e a celeridade na realização de processo licitatório para o serviço. O documento reivindica ainda a redução de vencimentos e benefícios de vereadores e prefeito, a retirada de tramitação e veto do prefeito Bruno Siqueira (PMDB) aos projetos de lei que alteraram as leis de edificações e de uso e ocupação do solo e a retomada das obras do Hospital Regional da Zona da Mata. Segundo a carta, o grupo aguarda posição oficial do Município e do Parlamento em três dias úteis. O prazo se encerra quinta-feira, quando novo ato público deve acontecer nas ruas da cidade.

No início da noite, a Prefeitura reiterou o respeito às manifestações pacíficas que acontecem na cidade desde a semana passada. Em nota, a PJF afirmou que “alguns pontos destacados pelo movimento já fazem parte da rotina de ações implementadas pela Administração.” Sobre o transporte coletivo, afirma que o reajuste anual que aconteceria em julho, influenciado por aumentos dos combustíveis e recomposição salarial dos profissionais do setor, tornou-se desnecessário no momento, após desonerações tributárias concedidas pelo Governo federal. “Cabe explicar que os municípios que estão diminuindo a tarifa já tinham praticado o reajuste nos meses anteriores, o que não é o caso de Juiz de Fora.”

O Executivo declarou ainda que está trabalhando para realizar a licitação do transporte urbano. Uma portaria publicada nesta segunda oficializou a comissão especial para acompanhar a concorrência iniciada pelo ex-prefeito Custódio Mattos (PSDB), parada no Tribunal de Contas do Estado (TCE), e buscar alternativas caso o processo não possa ser retomado. “Outros temas abordados também já estão sendo executados, como a homologação da nova licitação do Hospital Regional na última semana”, diz a nota. Uma decisão de Bruno sobre o projeto que altera o uso e ocupação do solo é esperada para esta semana.

 

Plano Diretor

A Câmara também se mobilizou no sentido de dar as primeiras respostas às reivindicações. Nesta segunda, o presidente do Legislativo anunciou a formação de comissão especial para intensificar os debates sobre a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal, que englobaria as discussões a respeita das alterações na lei de edificações e de uso e ocupação do solo, como as que tramitam na Casa. O grupo será formado por José Márcio (PV), Vagner de Oliveira (PR) e Roberto Cupolillo (Betão, PT). Gasparette também convocou para esta quarta uma reunião entre os vereadores para avaliar os pedidos dos manifestantes. “O povo tem o direito de reivindicar melhorias, e os vereadores reconhecem a legitimidade do movimento. Vários pontos abordados pelos manifestantes estão na pauta de discussões do Legislativo”, diz nota oficial assinada por Gasparette.

Com quatro horas de duração, entre 14h e 18h, a manifestação desta segunda levou um número menor de pessoas às ruas, quando comparada com os três atos anteriores. A estimativa da Polícia Militar (PM) e de integrantes da ação é de que cerca de 200 manifestantes fizeram parte do protesto e que aproximadamente cem ocuparam as dependências da Câmara. Mais uma vez, a movimentação ocorreu de forma pacífica e foi monitorada por 84 policiais. Como o grupo se manteve nas imediações do Palácio Barbosa Lima, o trânsito nas vias da cidade não chegou a ser comprometido.

Fonte: Tribuna de Minas

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O Patrimônio Estacionado

Matéria publicada n’O Estandarte, em 24 de junho de 2013.

 

Cine Excelsior vira estacionamento e é suspendido de funcionar

Por Natália Lima

Cine Excelsior vira novo estacionamento para cidade Créditos: Blog Cinema ExcelsiorNa última sexta-feira, 21 de junho, por decisão da justiça, do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e intermédio do Movimento Salvem o Cine Excelsior o estacionamento foi fechado provisoriamente, porque continha  irregularidades em sua construção e  inadequações  de segurança, o que nos comprova a força das organizações em massa e a negligência dos empreendedores  no cumprimento das leis.

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac) vinculado à Fundação Cultural Ferreira Lage (FUNALFA) propõe-se em proteger o patrimônio cultural da cidade, porém depois de terem analisado o processo por nove vezes  não viram a necessidade do espaço ser tombado, deste modo, o fim do  Cine Excelsior  resultou em um conflito que de um lado está a ação dos empreendedores quais visam a urbanização, o crescimento econômico e o progresso, e de outro os ambientalistas, os cineastas, os históricos, arquitetos, e os turismólogos,  quais desejam a preservação da memória arquitetônica do município e a utilização do espaço para  a cultura e educação.

 Em 2013, mais de 80 solicitações de demolições foram protocolados pelo Comppac, confirmando  que os nossos patrimônios estão sendo destruídos para ceder lugar a  prédios  e a lucratividade.

 O descaso vigente  com  a  transformação do Cine Excelsior em estacionamento, nos  alerta para o  déficit na política, a qual  só conquistará a legitimidade e veridicidade com a população  quando defender e preservar  nossos valores, nossa cultura e nossa tradição. Contudo, será que a política de Preservação do Patrimônio Cultural de Juiz de Fora é ativa e eficisente?

Atualmente, tornou-se um grande desafio  preservar os patrimônios culturais,  porque   investir em comércio é mais atraente para os donos de propriedade privada. Portanto, resguardar estes monumentos, requer uma política pública de Preservação do Patrimônio Cultural que seja mais eficaz, para que a história  de Juiz de Fora  não vire  poeira, ou que fique lembrada apenas pela memória, pelas fotografias e pinturas, e  muito menos que seja paulatinamente esquecida. De tal modo, o fechamento do estacionamento faz reavivar  a reversão do indeferimento do tombamento votado pelo Comppac e a esperança de que poderemos ver o Cine Excelsior como promotor de cultura e entretenimento conforme almeja o Movimento Salvem o Cine Excelsior.

Créditos: Facebook Cine Excelsior

Fonte: O Estandarte

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Lista de reivindicações será entregue a Bruno

O Tombamento do Cine Excelsior foi pedido pelas ruas, e reforçado dentro do atual momento de reinvindicações. O grifo no texto abaixo, é nosso, da matéria publicada no jornal Tribuna de Minas, de 23 de junho de 2013.

AssembleiaManifestantes voltaram a ocupar as ruas de Juiz de Fora ontem, em mais um ato pacífico e sem registros de violência. Por cerca de duas horas, o grupo percorreu as vias centrais, passando pela Rua Halfeld e avenidas Getúlio Vargas, Itamar Franco e Rio Branco até retornar ao Parque Halfeld, onde a ação teve início. Ao final da marcha, uma assembleia, que também durou cerca de duas horas, foi realizada para a definição de uma lista de reivindicações que as lideranças pretendem encaminhar ao prefeito Bruno Siqueira (PMDB) amanhã, quando novo protesto está agendado para 14h, em frente à Câmara Municipal. Para eleger as principais demandas populares, os integrantes do movimento abriram espaço para elaboração de propostas no Facebook, sendo que os quatro temas mais indicados foram apresentados na assembleia ao ar livre. Seguindo a linha dos protestos originados em São Paulo, a partir do Movimento Passe Livre (MPL), o pedido de tarifas mais baratas, ampliação da frota de ônibus urbano e estatização dos serviços foi o que encabeçou a lista de reivindicações.

Os outros três tópicos apresentados e aprovados na reunião pública foram redução do salário do prefeito e dos vereadores, veto do Executivo às alterações na lei do uso e da ocupação do solo e retomada da construção do Hospital Regional de Urgência e Emergência, cujas obras estão paradas desde outubro do ano passado. Os manifestantes reforçaram posicionamento contrário à construção de nova sede para a Câmara Municipal, bandeira defendida pela atual Mesa Diretora, solicitaram o tombamento do edifício do Cine Excelsior, pagamento do piso nacional aos professores, passe livre estudantil e implementação do bilhete único, entre outras demandas. “Os quatro tópicos iniciais representam a pauta prioritária, mas colocaremos no documento essas outras propostas”, disse uma estudantes de 22 anos que participa da comissão informal que atuou na organização do movimento.

Diferente dos atos anteriores, a marcha de ontem tinha objetivo específico e integrava a série de protestos de várias cidades, chamada de “Dia do Basta à Corrupção”. O alvo das indignações era a proposta de emenda à Constituição (PEC) que limita a atuação do Ministério Público e confere às polícias a exclusividade nas investigações criminais, a PEC 37. A voz das ruas pedia a retirada do dispositivo que tramita no Congresso.

Assembleia Foto

Fonte: Tribuna de Minas

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Estacionamento Excelsior é obrigado a suspender funcionamento

Matéria publicada no Diário Regional de 23 de junho de 2013.

Clique na imagem para ampliar.

Diario Regional - 23-06-2013

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Justiça manda fechar estacionamento no Centro

Matéria pubicada pelo site do jornal Tribuna de Minas, de 21 de junho de 2013.

Por Tribuna

A Justiça determinou, na última quinta-feira (20), a suspensão imediata do funcionamento do estacionamento localizado no prédio do antigo Cine Excelsior, na Avenida Rio Branco, Centro. A decisão é da juíza Roberta Araújo Maciel, da 1ª Vara Empresarial de Registros Públicos, de Fazenda Pública e Autarquias Municipais de Juiz de Fora, com base em irregularidades apontadas em laudos da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. Ainda durante a tarde desta sexta, o estabelecimento foi fechado. Cabe recurso à determinação, e o pedido, em caráter liminar, foi feito pelo presidente da Associação Amigos do Cine Excelsior, o cineasta Franco Groia. Entre os argumentos da ação, está o fato de o imóvel não se encontrar em condições adequadas para operar, por não atender às exigências de segurança.

No documento, ficou determinado que bombeiros e Defesa Civil fossem oficializados com urgência para que realizassem vistoria imediata do imóvel e apontassem as providências a ser tomadas. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a corporação realizou uma vistoria no prédio no final do ano passado, e o estabelecimento foi notificado, devido a irregularidades, como falta do auto de vistoria dos bombeiros, falta de iluminação e saídas de emergência. “Pretendemos retornar em breve para verificar a situação. Caso ainda não tenham sido solucionadas, será necessária a aplicação de multa”, explica o tenente George Sant’Ana, subcomandante da Companhia de Prevenção.

Já a Defesa Civil informou, por meio de assessoria, que ainda não foi notificada oficialmente a respeito da liminar, mas que serão tomadas as providências cabíveis assim que o documento for recebido. O órgão fez vistoria no local em março deste ano e, na avaliação, não foi constatado risco estrutural, mas foi sugerido que “o engenheiro contratado pelo proprietário do imóvel verificasse a laje e providenciasse melhorias nas instalações elétricas, além do auto de vistoria dos bombeiros

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Decisão judicial fecha estacionamento onde funcionava o Cine Excelsior em Juiz de Fora

Matéria publicada no Portal Megaminas em 21 de junho de 2013.

Por MGTV TV Integração

 

A ordem de fechamento imediato partiu de decisão da 1ª Vara da Fazenda Pública. A Associação Amigos do Cine Excelsior reivindica a desapropriação do espaço para ser transformado em centro cultural. “Nós queremos a ampliação do investimento na área do audiovisual e da cultura de Juiz de Fora”, explicou Franco Groia.

Clique aqui e veja o vídeo

De acordo com a associação, laudos técnicos do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil mostra irregularidades na reforma do estacionamento.

A última exibição de filmes no antigo Cine Excelsior aconteceu há 18 anos. Depois, o espaço ficou fechado e cerca de nove pedidos de tombamento tramitaram na justiça.

Hoje (21) à tarde, as portas do estacionamento ficaram fechadas. Os proprietários têm cinco dias para recorrer. Eles não autorizaram a filmagem no interior do imóvel, e disseram que o cinema ficou à disposição para venda e aluguel, mas sem interessados.
“A família está se defendendo no processo. Todos os documentos exigidos pelo poder público estão disponíveis e vão ser apresentados no momento certo, afirmou o advogado Márcio Sampaio.

Fonte: Megaminas.com

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Moradores de Juiz de Fora questionam o fechamento de espaços culturais e artísticos

Matéria publicada no Portal Megaminas em 21 de junho de 2013.

Por MGTV TV Integração

Interessados na disseminação da arte continuam lutando para que esses locais não virem apenas lembranças no imaginário da população

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Representantes da cultura de Juiz de Fora questionam o fechamento de casas e espaços culturais e artísticos da cidade.

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Na última semana foi inaugurado um estacionamento no lugar onde já funcionou o antigo Cine Excelsior, dando fim a uma briga entre proprietários e manifestantes que durou anos. Segundo a associação, o espaço, que já foi considerado um dos mais modernos do país e está desativado desde 1994, fazia parte da identidade cultural de Juiz de Fora e não poderia assumir qualquer outra finalidade senão a artística.

Mesmo após a abertura do estacionamento no local onde funcionava o cinema, defensores da volta do Cine Excelsior tentam reverter a situação e fazer com que o espaço volte a ser um centro cultural.

O objetivo dos associados é buscar forças para ainda encontrar formas de preservar esse patrimônio e mantê-lo vivo ao transformá-lo em um espaço de uso cultural para toda a população. O grupo entrou com três ações na justiça.

Paralelo a isso, no final do mês, o Centro Cultural Mezcla para de funcionar após 12 anos, também por exigência do proprietário do espaço. A proposta do local, que funcionou na Rua Benjamin Constant, era ter espaço para projetos de arte experimental. Durante estes 12 anos o local sobreviveu com auxílio de importantes reconhecimentos da cultura brasileira e ganhou vários prêmios estaduais e nacionais.

Interessados na disseminação da arte e cultura continuam lutando para que esses locais não virem apenas lembranças no imaginário da população de Juiz de Fora.

Fonte: Megaminas.com

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