Conforto no cinema

O Cine Excelsior foi mencionado na matéria sobre projeto de lei que regulamenta cadeiras numeradas em cinema. A publicação foi feita pela Tribuna de Minas em 26 de setembro de 2013.

 

Projeto de cadeira numerada é discutido na Câmara Municipal

Por MARISA LOURES

Realidade em algumas cidades do país, como Belo Horizonte, a obrigatoriedade da venda de cadeiras numeradas nos cinemas de Juiz de Fora é assunto de discussão na Câmara Municipal. De autoria do vereador Jucelio Maria (PSB), o projeto de lei foi apresentado aos parlamentares, pela primeira vez, em março deste ano, e retornou ao plenário ontem. Se aprovado, os ingressos vendidos deverão conter a fila e o número da cadeira escolhida pelo cliente no ato da compra, não podendo os estabelecimentos cobrarem preços diferenciados pelo local da poltrona. Quem descumprir a norma estará sujeito a advertência, multa de 200 vezes o valor da entrada ou o dobro disso, caso seja reincidente. Em enquete realizada ontem no site da Tribuna e publicada na edição de hoje, 61% se mostraram contrários ao projeto.

A proposta deve voltar a ser discutida nesta quinta ou sexta-feira, segundo informou Jucelio, e está com sua tramitação paralisada por vistas pedidas por Wagner de Oliveira (PR). Também já pediram vistas os parlamentares Roberto Cupolillo (Betão, PT) e Noraldino Junior (PSC). “O objetivo é proporcionar mais conforto e bem-estar ao consumidor, que vai poder garantir seu lugar na sala com antecedência, comprando através da internet ou no próprio guichê. Além de acabar com as filas intermináveis, vai evitar conflitos e discussões. O cliente ainda poderá aproveitar o espaço, no caso do shopping, para poder realizar outras atividades enquanto aguarda o filme começar”, defende Jucelio.

De acordo com o parlamentar, a proposição foi elaborada com o auxílio de internautas por meio das redes sociais. “Toda mudança e qualquer forma de civilizar ou disciplinar causa estranhamento, mas é uma ideia que tem dado certo em muitas partes do Brasil e do mundo. O que, inicialmente, parece dificuldade, com o tempo vai significar tranquilidade.”

Consequência para os envolvidos

Gerente de operações da Cinemais, responsável pela cinco salas de cinema do Alameda, Olavo Neto diz que a lei traz benefícios, mas também desvantagens para o consumidor, já que pode interferir nos horários de programação dos filmes. Conforme o gerente, em municípios, como Uberlândia, não existe lei que obrigue a numeração, mas a rede já aplica a medida. “Pode ocorrer atraso nas sessões. As pessoas se confundem, acabam sentando no lugar do outro. Isso dificulta um pouco a acomodação, causa alguns transtornos, mas não é nada impossível de ser coordenado”, diz Neto, explicando que a empresa está pronta para seguir a lei, caso ela seja aprovada aqui na cidade. “As cadeiras têm o local para colocarmos a numeração. O mais difícil é o software que controla, e nós já temos um pronto”, assegura.

Embora nunca tenha tido problema para conseguir o melhor lugar no cinema, o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora e um dos organizadores do Primeiro Plano – Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades, Nilson Alvarenga já teve a experiência de assistir a produções em São Paulo e aprova a iniciativa. “Acho muito bom saber que tenho meu lugar garantido. Claro que muitos vão chegar de última hora e encontrar poucas cadeiras disponíveis, mas se a gente se programar a ideia é muito boa”, opina, ponderando que, em Juiz de Fora, talvez, a medida não traga tantos impactos. “Por aqui, é mais uma questão de escolha. As salas não ficam tão lotadas. Faria diferença em dias de filmes mais concorridos. Porém é razoável pensar nisso, evitaria correria de última hora.”

Na visão de Doroti Mira, pintora que reside em Juiz de Fora há 28 anos, levando em consideração o que é oferecido pelos cinemas daqui, existem questões que merecem estar na ordem de prioridade. “Essa discussão é vazia. Há dias que vou ao cinema, e não tem mais ninguém. A cidade não tem público. Deveriam pensar no Cine Excelsior, que é mais importante.”

Para Adhemar de Oliveira, diretor de programação do Palace, independentemente de aprovação da lei, é preciso ouvir o espectador. “Atuo em locais que têm a obrigatoriedade e em outros que não. Vai muito da plateia. Enquanto operador, isso é indiferente. Ouço falar que a medida tira aquela coisa do impulso, o cinema começa a virar coisa planejada como o teatro. Raramente você decide ver um espetáculo de última hora”, comenta.

Fonte: Tribuna de Minas

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