Arte estacionada

Texto publicado no “Encarando” do blog site Anticareta, que gentilmente autorizou a reprodução aqui no blog.

 

Como assim uma tendência? Entendemos os motivos de algumas reduções em salas de cinema, adaptações com outras manifestações artísticas e muitas vezes até apoiamos, mas destruir é inadmissível.

Talvez esta tal tendência se enquadre, lamentavelmente, ao aniquilamento de estádios e estruturas esportivas em âmbito nacional, visando a cretina realização da Copa do Mundo 2014 no Brasil. O Maracanã é um patrimônio histórico tombado e mesmo diante desta constatação, fizeram questão de acabar com o maior do mundo. Sim! Ele acabou, não é mais o mesmo.

Ganhamos modernidade? Ainda não sabemos.

Passamos raiva? Sim.

É tudo muito estranho? Sim.

Estão tentando fazer o mesmo com o Maracanãzinho? Sim.

Esta comparação é apenas uma síntese para relatarmos situações que não suportam mais debates, são fatos e fatídicos. Em Juiz de Fora, estamos vivenciando um grande exemplo desta insuportável mentalidade, o Cine Excelsior, o mais glamouroso cinema da região foi destruído pela ganância.

Continue lendo “Arte estacionada”

Espalhe no Facebook

Representantes do movimento ainda lutam pelo Cine Excelsior

Matéria publicada pelo Diário Regional, em 02 de junho de 2013. (Clique para ver ampliado)

DiarioRegional-02-06-2013

Fonte: Diário Regional

Espalhe no Facebook

Nota de Agradecimento

Agradecimento Final

Espalhe no Facebook

Presente para os 163 anos de Juiz de Fora

Drive in JF
Montagem sobre foto de marcioesalgado

.

Em menos de 24 horas da publicação do nosso texto sobre o “estacionamento”, recebemos inúmeras manifestações de indignação e pesar pela destruição do cinema.

Pela primeira vez um único post passou da barreira de 11.500 visualizações no Facebook, além de mais de 200 compartilhamentos, batendo todos os nossos recordes. Nunca um texto e uma imagem em prol do Cine Excelsior foi tão vista, o que prova o quanto a vontade popular deve sim ser levada em conta. Foram manifestações de artistas, profissionais ligados à Cultura, e da grande maioria de cidadãos comuns.

E dentre os que se manifestaram, está a deputada federal Margarida Salomão, que ainda acredita na viabilidade do Cine Excelsior, e cujo texto reproduzimos abaixo:

“Apesar dessa triste imagem, não vamos desistir da luta pela recuperação e continuidade do Cine Excelsior. Há algum tempo engajei nessa luta e, junto com representantes do Movimento Salvem o Cine Excelsior tentamos buscar alternativas para impedir que essa descabida ideia, de transformar tão importante espaço em estacionamento, fosse levada adiante. O Cine Excelsior foi palco de intensa atividade cinematográfica e considerado uma das melhores salas de cinema do Brasil entre 1958, ano de sua inauguração, e 1994, quando teve suas atividades interrompidas. A riqueza do Excelsior não se resumia aos filmes exibidos, mas o valor arquitetônico, com sua ornamentação Art Déco, era inestimável. Um patrimônio de Juiz de Fora, mas que os juiz-foranos não puderam opinar sobre seu destino. Fica aqui o meu protesto: não precisamos de um estacionamento a mais, Juiz de Fora carece é de muito mais cultura! “

Enquanto isso, a FUNALFA e o COMPPAC lavam as mãos, fingindo que a questão não é com eles. É esse o presente que eles deixam para a cidade  às vésperas de seus 163 anos!

A cidade merece mais um cinema de rua e não um reles “estacionamento”, cujo nome é um tapa na cara de todos os cidadãos de Juiz de Fora.

Espalhe no Facebook

Descaso com o Cine Excelsior e com o Audiovisual de Juiz de Fora

Cine Excelsior - A Fuga

.

Para quem o conhecia, a projeção cultural do Cine Excelsior mudou os parâmetros tecnológicos no mercado exibidor local, principalmente no decorrer dos anos de 1960 e 1970, proporcionando à cidade condições para que ela tivesse momentos de intensa atividade artístico-cultural através do meio cinematográfico, permitindo a exibição de filmes com grande experimentação técnica por meio de novas tecnologias.

Não resta dúvida, por tudo que lhe diz respeito, a importância do Cine Excelsior como espaço de interesse estritamente cultural, com elementos da Arquitetura Art Déco em transição ao Movimento Moderno da Arquitetura brasileira da década de 1950, tornando o cinema único como “uma joia rara da Arquitetura” de Cinemas (como atestou o Presidente do Instituto Art Déco Brasil maior autoridade no assunto no país); como também o vínculo estabelecido com a população através da imaterialidade típica, dos laços de identificação afetiva e cultural; e finalmente a função cultural dentro do contexto geral da cidade de Juiz de Fora.

Entretanto, o órgão competente da municipalidade é incapaz de ouvir a vontade popular e, fechado em si mesmo, delibera contra o interesse do coletivo e decreta de forma inconseqüente o fim deste ícone do que havia de melhor na cultura moderna em exibição da sétima arte no país.

O falso progresso, que não promove a inclusão social dissociado do desenvolvimento socioambiental, aliado ao descaso do Poder Público, impõe a perda do Patrimônio Cultural remanescente da cidade. A memória afetiva do povo juizforano vai sendo aos poucos fragmentada e apagada definitivamente de nossa história.

Falta sensibilidade política em nosso município, bem como visão empreendedora do setor cultural para elaborar estratégias de captação e realização de investimentos na preservação de nossas potencialidades e de desenvolvimento do turismo cultural de forma a enaltecer o riquíssimo legado de nossos antepassados, o mesmo deixado pela “era” da saudosa Manchester Mineira.

O investimento público, que é dever constitucional do poder público, de forma a fomentar o Turismo Cultural e de eventos, é propício para atrair milhares de turistas da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Fato que sem dúvida alguma criaria uma demanda de empregos e geração de renda de forma a oportunizar o retorno da vocação natural da cidade.

A atratividade de investimentos tem apoio declarado de Deputados, mas nosso poder municipal não sinaliza em nada neste sentido e se cala sobre o Excelsior. O lugar comum do discurso ralo da FUNALFA e COMPPAC parece ser restrito acerca do Museu Mariano Procópio e do Teatro Pascoal Carlos Magno, ambos exemplos de desgovernos e desprezo. Esquecem dos demais problemas da cultural local.

Episódios como a transformação do espaço do Cine Excelsior em “estacionamento” reflete o despreparo, o descaso e a falta de visão de nossos gestores da cultura e do governo municipal para com o desenvolvimento da cidade. Trata-se de uma flagrante violação da verdadeira função social da propriedade insculpida em nossa Constituição. Ou seja, sobrepondo o interesse puramente comercial acima do interesse coletivo; que é o da restauração e manutenção dos laços de afinidade cultural da cidade.

O Cine Excelsior não pode morrer!!! E a população não pode deixar isto acontecer! Não podemos deixar de nos indignarmos com tal situação!!!

Isto é o que temos para hoje.

Assinado

Associação Amigos do Cine Excelsior

.

Estacionamento Excelsior-23-05-2013

Espalhe no Facebook

Novo destino

Nota publicada na coluna do jornalista Wilson Cid, no Folha JF, de 22 de maio de 2013.

FolhaJF-22-05-2013

Fonte: Folha JF

 

 

Espalhe no Facebook

Adeus ao Espaço Mezcla

O Movimento Salvem o Cine Excelsior lamenta o fechamento do Espaço Mezcla, local de inúmeros momentos inesquecíveis e ponto de partida para inúmeras manifestações, inclusive a Choradeira pelo fechamento do Cine Excelsior, dentro da Caravana de Palhaços, nos fins de 2011.

Mais uma vez, a especulação imobilária pisa em cima da Cultura de Juiz de Fora. Uma pena.

Torçamos para que o Mezcla volte em uma nova casa assim que possível!

Espalhe no Facebook

Sem Fôlego e sem Foco

O Jornal Tribuna de Minas publicou, em 28 de março de 2013, a matéria “Mesmo fôlego e com foco”, sobre a Audiência Pública em que o Superintendente da FUNALFA esteve na Câmara Municipal de Juiz de Fora na qual apresentou seus planos para o setor em 2013. Reproduzimos abaixo a reportagem, realizada por Júlia Pessoa para o Caderno Dois:

.

No dia em que sentir que não posso mais fazer a diferença, volto ao meu lugar de origem. Enquanto isso não acontecer, continuo animado, com fôlego para defender o que estamos construindo coletivamente, apesar dos cabelos brancos.” Foi com essas palavras que o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, respondeu à provocação do vereador Wanderson Castelar (PT), que disse ter tido a impressão de vê-lo desanimado ao apresentar as metas da Funalfa para 2013 ontem à tarde, na Câmara. “Grande parte da minha fala foi sobre orçamento, um assunto com muitas informações e números, isso pode ter pesado. Ou pode ser por causa da minha camisa cinzenta e do dia nublado”, explica, com bom humor, o superintendente.

De fato, muitos números foram apresentados na sessão de ontem. Segundo Toninho, atualmente não há dinheiro para novas demandas, mas a intenção é que o orçamento seja aumentado gradativamente. No momento, a verba municipal destinada à cultura corresponde a quase 1% (aproximadamente R$ 12 milhões) do total do orçamento municipal (cerca de R$ 1, 4 bilhão), e a Funalfa pretende expandir este percentual para 2%. “Só com o carnaval gastamos mais de 10% de nossos recursos. Por esse e outros motivos, é imprescindível que aprovemos o Plano Municipalde Cultura como lei. Na elaboração, os critérios Plano Plurianual (PPA) e Lei Orçamentária Anual (LOA) são coerentes e consonantes com a realidade da administração e o dia a dia da cidade.”

Apresentando as metas da gestão, Toninho ressaltou que a conclusão do Teatro Paschoal Magno está entre as ações prioritárias. Segundo o superintendente, resta a reorganização do processo para a captação de recursos por meio da Lei Rouanet. ” O projeto para a conclusão já foi aprovado, estamos com dificuldades de captação junto à iniciativa privada, mas estamos perto de conseguir a verba necessária.” Toninho adiantou que o prefeito Bruno Siqueira já sinalizou positivamente para a realização de um concurso público para a Funalfa, que atualmente opera com o quadro de funcionários defasado em 44%.

Entre os pontos de ação, foi destacada a ampliação do atendimento dos centros culturais já existentes, como Biblioteca Municipal Murilo Mendes, Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, Centro Cultural Dnar Rocha e Museu Ferroviário.

O superintendente também destacou como metas a acessibilidade nos prédios públicos, valorização os artistas locais, incentivo à leitura por meio de troca de livros e nas bibliotecas públicas e criação de políticas de educação patrimonial. “Precisamos ainda fortalecer nossa ação nos bairros. Reconhecemos que este é um calcanhar de Aquiles, mas a ideia é trabalhar para reverter isso sem levar nada pronto, mas atuando a partir das manifestações culturais que já existem nestes locais.”

Outro foco da Funalfa é o programa “Gente em primeiro lugar”, que atualmente atende seis mil crianças e adolescentes de 62 bairros selecionados na cidade. “Este projeto tem sido a menina dos nossos olhos. Queremos levá-lo a mais bairros porque sabemos que ele atua nos locais que mais precisam e que menos têm acesso à cultura.”

Toninho também destacou a necessidade de atuar junto a outras pastas da Prefeitura no combate à violência na cidade. “Dando resposta a uma demanda popular, toda nossa agenda cultural será voltada para o tema ‘Violência e paz’, buscando lançar provocações para que ele seja debatido. Quem sabe a arte pode ajudar a mudar a situação atual?”, questionou o superintendente, lembrando que a Semana de Arte Moderna de 1922 interferiu de forma significativa no contexto social e cultural da época e de diversas gerações.

A programação de combate à violência terá início no dia 2 de maio, com exposição de diversos artistas locais, como Carlos Bracher, Dnar Rocha e Arlindo Daibert. A iniciativa também prevê um show de cantores locais, com canções que retratem a temática.

Cine Excelsior

Uma das questões mais discutidas pelo público foi a polêmica em torno do tombamento do Cine Excelsior. “Falou-se em preservação do patrimônio, mas nunca fomos chamados à Funalfa para discutir a questão do Cine Excelsior, apesar do clamor popular para que ele seja tombado, com cerca de 1.600 assinaturas recolhidas”, aponta Alessandro Paiva, da Associação Amigos do Cine Excelsior.

Também representando o grupo, o cineasta Franco Groia questionou a ação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac) em relação ao pedido de tombamento do imóvel. “Em nenhum momento foi feito um estudo histórico-artístico do local. Juiz de Fora tem uma tradição cinematográfica, berço de João Carriço, e o Cine Excelsior está sendo ignorado.” O vereador Roberto Cupolillo (Betão-PT) fez um pedido de informação referente ao projeto.

Em resposta ao grupo, Toninho destacou que os documentos estão abertos à população, e que o Comppac atuou dentro dos rigores da lei. “Não atendemos interesses de terceiros, o processo foi feito com responsabilidade, e este pedido de tombamento já foi negado nove vezes. Isso não pode estar relacionado a alguma falha do Comppac, mas à inviabilidade da solicitação. A Funalfa está, sim, preocupada com a memória do cinema local, prova disso é o fato de o Cine Palace só estar aberto porque a Prefeitura interveio nesta causa, e a Funalfa compra cerca de 37 mil ingressos para exibições escolares. Foi a maneira que encontramos de atuar. Temos limites e estamos cientes deles, mas trabalhamos com lucidez para equilibrá-los.”

Fonte: Tribuna de Minas

Espalhe no Facebook

Rumos da FUNALFA até 2016 em debate na Câmara

Espalhe no Facebook

Trabalho da Funalfa é exposto em audiência pública

A audiência pública da tarde desta quarta-feira (27/03) recebeu o Superintendente da Fundação Alfredo Ferreira Lage – Funalfa, Toninho Dutra, que expôs as propostas de gestão relacionadas à cultura no município.

A principal meta de trabalho é a aprovação junto ao Legislativo do Plano Municipal de Cultura como norma jurídica. De acordo com o superintendente o plano deve ser encaminhado a Casa nas próximas semanas. “A elaboração e execução do PPA, da LOA e do Orçamento Municipal deve ser coerente e consonante com a realidade da administração da cidade”, destacou.

Com o orçamento restrito, Toninho falou da importância de discutir o gradativo aumento da verba destinada à cultura. “Propomos que em 10 anos dobre e chegue a 2%”. Dutra destacou que 12% do orçamento da cultura no município são gastos com o carnaval de rua.

O superintendente falou sobre as metas desta administração, entre elas ampliação do atendimento da Biblioteca Murilo Mendes, Centro Cultural Bernardo Mascarenhas e Museu Ferroviário, facilitar a acessibilidade nos prédios públicos, ampliar serviços culturais, direcionar as contrapartidas da Lei Murilo Mendes, valorizar os artistas locais, ampliar e profissionalizar o carnaval, apoiar centros culturais, incentivar leitura através de troca de livros, bibliotecas públicas e desenvolver políticas de educação patrimonial.

Sobre a conclusão do Teatro Paschoal Magno resta a organização do processo para a captação de recursos por meio da Lei Rouanet. A ampliação do programa Gente em Primeiro Lugar também será o foco do trabalho.

Toninho Dutra falou sobre as atividades que este ano serão desenvolvidas com o foco para violência e paz. “Atendendo a indicações a Funalfa aproveitará as comemorações do aniversário da cidade para marcar o início das atividades culturais por uma cultura de paz, que é uma resposta da rede ao avanço da violência”.

Representantes da Associação de Amigos do Cinema Excelsior cobraram o tombamento e defenderam a manutenção do espaço como reflexo da identidade dos juizforanos e de preservação de sua história cultural.

O vereador Roberto Cupolillo (Betão-PT) irá fazer um pedido de informação sobre o pedido de tombamento do Cine Excelsior para esclarecer o processo.

Rodrigo Mattos (PSDB), proponente da audiência, enfatizou o comprometimento do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (COMPPAC) com o patrimônio e a cultura.

Fonte: Câmara Municipal de Juiz de Fora

Espalhe no Facebook

Ratinho quer reativar salas de cinemas municipais

Nota publicada na coluna Outro Canal do caderno Ilustrada, na Folha de S.Paulo de 26 de março de 2013.

Há pelo menos três anos, Ratinho vem batendo na tecla de que seu programa no SBT não tem mais baixaria. Mas quem imagina o apresentador encabeçando um grande projeto cultural, que pode ser acertado em parceira com o Ministério da Cultura?

Pois Ratinho tinha uma reunião agendada para a tarde de ontem com a atual ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT-SP). Na pauta do encontro está a reativação e a criação de cinemas municipais, onde pudessem ser realizadas mostras de audiovisual e festivais de cinema.

Ratinho, que é fã de Mazzaropi e detentor dos direitos autorais de boa parte dos filmes do ator, é entusiasta de projetos que promovam a união entre o cinema e a cultura local, como festivais de filmes regionais.

O projeto do apresentador, que será apresentado ao Ministério da Cultura, pretende retomar as atividades das salas de cinemas nas pequenas cidades, que acabaram fechando com a chegada das grandes redes de cinema nas metrópoles.

A ideia contaria com o apoio de Ministério da Cultura e da iniciativa privada. Vale lembrar que Ratinho é amigo pessoal do presidente Lula (PT) e tem boas relações com o partido.

Procurado, Ratinho não comentou o assunto até o fechamento desta coluna.

Fonte: Folha de S. Paulo

Espalhe no Facebook

Movimento do Cine Excelsior presente na palestra sobre Patrimônio Imaterial

O Movimento Salvem o Cine Excelsior esteve presente na palestra do Professor Yussef Daibert Salomão do Campos, autor do livro Percepção do Intangível sobre Patrimônio Imaterial. O evento aconteceu no dia 20 de março de 2013 na Livraria Liberdade.

Espalhe no Facebook

Cine Belas Artes: dois anos após o fechamento, há o que comemorar?

Segue a notícia de uma luta análoga ao Movimento Salvem o Cine Excelsior, desta vez em São Paulo, sobre o Cine Belas Artes. Compartilhamos um artigo do professor e vereador Nabil Bonduki, publicado originalmente no site da Carta Capital, sobre os dois anos de fechamento do Cine Belas Artes e as conquistas do movimento que pede a reabertura daquele cinema.

Dois anos sem o Cine Belas Artes: sim!, há o que comemorar

Por Nabil Bonduki

Há dois anos, na noite de uma quinta-feira de março, com muita tristeza, assistimos à última sessão do Cine Belas Artes. Quando as luzes do projetor se apagaram e as da sala se acenderam pela última vez, se fez um silêncio profundo. À saída, em vez de corriqueiros comentários sobre o filme que acabávamos de ver, pairou um clima de velório. “Acabou!”, muitos disseram.

Apesar da luta que, nos meses anteriores, havia mobilizado milhares de pessoas contra o fechamento do Belas Artes, parecia se repetir a sina que tem marcado a cidade nas últimas décadas: o fechamento dos cinemas de rua, nesse caso, o mais importante deles. Parecia irreversível o desaparecimento de um lugar que já havia marcado a vida cotidiana de São Paulo, uma sala de arte que se manteve independente dos circuitos comerciais e que havia se transformado em uma referência urbana e cultural da cidade.

Seduzido por um aluguel milionário que, segundo se dizia, era oferecido por uma rede comercial, o proprietário do prédio não aceitou nem uma boa proposta de locação que tornasse possível manter o cinema aberto. “Não tem jeito!”, recomendava o senso comum. “É a força da grana que destrói coisas belas”. Paciência, diziam os céticos: a desenfreada valorização imobiliária chegou até aqui.

Por sorte, não existem apenas céticos; milagrosamente, no meio dessa selva de concreto, aparecem apaixonados que não se conformam em ver desaparecerem as últimas referências que conferem identidade aos lugares significativos da cidade. Reunidos no Movimento Pelo Cine Belas Artes (MBA), jovens e velhos frequentadores do cinema não cederam à lógica dominante e ergueram trincheiras contra o que parecia irreversível.

Esse grupo de militantes e ativistas urbanos e culturais, respaldados por mais de cem mil cidadãos que apoiam essa causa na internet e milhares que assinaram presencialmente o manifesto, buscou os conselhos de defesa do patrimônio cultural, para lhes mostrar a necessidade de preservar, do processo imobiliário, os espaços públicos de cultura que se tornaram referenciais para a cidade.

Com tenacidade e persistência, o MBA manteve a chama da esperança acesa por dois anos. O cinema está ali, fechado, triste, escuro, fazendo falta sempre que queremos ver um bom filme, mas alguma luz parece surgir no final do túnel. O Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) determinou o tombamento da fachada e registro de memória do cinema. Nenhuma obra ou alteração física pode ser feita sem a autorização do órgão. Espera-se que, com a nova administração da cidade, o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio), que há dois anos abriu processo de tombamento do cinema, possa retomar o assunto, que recebeu parecer positivo da sua área técnica. O proprietário contabiliza os milhões que deixou de receber pela excessiva ganância.

Para além de sua importância como cinema, a reabertura do Cine Belas Artes é fundamental para a reabilitação da vida cultural e urbana da esquina das avenidas Consolação e Paulista, que caiu em decadência, sobretudo durante a noite, nos últimos anos. Em breve estará de volta o Bar Riviera, tradicional ponto de encontro que faz parte desse conjunto cultural. O que será dele sem o movimento efervescente gerado por um cinema como o antigo Belas Artes? Mais um restaurante com “valet” na porta? É disso que São Paulo precisa?

Não, a região necessita de um impulso capaz de potencializar sua ocupação. Com medidas simples de segurança e manutenção, a passagem subterrânea que liga o Belas Artes ao Riviera poderá ser rapidamente revitalizada, com a valorização dos sebos ali instalados. Um bom projeto urbano poderá conectar todos esses espaços com a Praça do Ciclista e outros espaços públicos do entorno.

*Nabil Bonduki, professor da FAU-USP, livre-docente em planejamento urbano, é vereador em São Paulo. Foi o relator da Lei do Plano Diretor Estratégico da cidade

Fonte: Raquel Rolnik

Espalhe no Facebook

Endereço Certo?

Nota da coluna do jornalista Wilson Cid, publicado no TER Notícias de 27 de fevereiro de 2013:

.

.

Fonte: TER Notícias

Espalhe no Facebook

Projeto apresentado pelos donos do Cine Excelsior pode ser de 1956

Matéria publicada pelo jornal TER Notícias em 26 de fevereiro de 2013.

Aqui há a denúncia de que o projeto de reforma pegou o desenho baseado em um projeto original do Cine Excelsior que não foi construido.

.

.

Fonte: TER Notícias

Espalhe no Facebook