Cine Excelsior: 56 Anos

UMA DATA PARA COMEMORAR O DESCASO, A INÉRCIA E O ABANDONO?

 

Hoje é a data em que o Cine Excelsior completa 56 anos passados a sua primeira exibição pública. Desde aquele 8 de fevereiro de 1958 foram muitos os momentos marcantes e emocionantes na vida de milhares de espectadores e períodos enaltecedores, que elevaram o nome da cidade a nível nacional da cultura cinematográfica. Mas, infelizmente, não teremos o prazer de parar para contabilizar o progresso e avanço tecnológico pelo qual deveria passar o antigo e majestoso cinema.

Lamentavelmente hoje temos a incômoda pergunta, e esperamos que talvez os responsáveis por tal quadro, como os conselhos e órgãos públicos municipais, em particular o COMPPAC e a FUNALFA, possam responder a seguinte pergunta: HOJE É UMA DATA PARA COMEMORAR O DESCASO, A INÉRCIA E O ABANDONO?

Sempre que uma foto do Cine Excelsior é compartilhada nas redes sociais, lemos os lamentos e testemunhos de dezenas de internautas, provas de que ele era o melhor de seu tempo e vemos que, hoje, já poderia estar aberto e funcionando, a exemplo do Cine Belas Artes em São Paulo, depois de pouco mais de um ano fechado, será reaberto em três meses após assinatura de acordo com a Caixa Econômica Federal. Enquanto isso, Juiz de Fora permanece parada no tempo.

A Associação de Amigos do Cine Excelsior permanece vigilante, de olho na ação popular que ainda corre nos tribunais e continuamos na luta para que o Cine Excelsior volte a funcionar.

Assim como não deixamos passar a data do aniversário da primeira exibição pública em branco. Apesar de tudo, parabéns, Cine Excelsior!

 

Excelsior-02imagem: Maria do Resguardo

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Cine Belas Artes: dois anos após o fechamento, há o que comemorar?

Segue a notícia de uma luta análoga ao Movimento Salvem o Cine Excelsior, desta vez em São Paulo, sobre o Cine Belas Artes. Compartilhamos um artigo do professor e vereador Nabil Bonduki, publicado originalmente no site da Carta Capital, sobre os dois anos de fechamento do Cine Belas Artes e as conquistas do movimento que pede a reabertura daquele cinema.

Dois anos sem o Cine Belas Artes: sim!, há o que comemorar

Por Nabil Bonduki

Há dois anos, na noite de uma quinta-feira de março, com muita tristeza, assistimos à última sessão do Cine Belas Artes. Quando as luzes do projetor se apagaram e as da sala se acenderam pela última vez, se fez um silêncio profundo. À saída, em vez de corriqueiros comentários sobre o filme que acabávamos de ver, pairou um clima de velório. “Acabou!”, muitos disseram.

Apesar da luta que, nos meses anteriores, havia mobilizado milhares de pessoas contra o fechamento do Belas Artes, parecia se repetir a sina que tem marcado a cidade nas últimas décadas: o fechamento dos cinemas de rua, nesse caso, o mais importante deles. Parecia irreversível o desaparecimento de um lugar que já havia marcado a vida cotidiana de São Paulo, uma sala de arte que se manteve independente dos circuitos comerciais e que havia se transformado em uma referência urbana e cultural da cidade.

Seduzido por um aluguel milionário que, segundo se dizia, era oferecido por uma rede comercial, o proprietário do prédio não aceitou nem uma boa proposta de locação que tornasse possível manter o cinema aberto. “Não tem jeito!”, recomendava o senso comum. “É a força da grana que destrói coisas belas”. Paciência, diziam os céticos: a desenfreada valorização imobiliária chegou até aqui.

Por sorte, não existem apenas céticos; milagrosamente, no meio dessa selva de concreto, aparecem apaixonados que não se conformam em ver desaparecerem as últimas referências que conferem identidade aos lugares significativos da cidade. Reunidos no Movimento Pelo Cine Belas Artes (MBA), jovens e velhos frequentadores do cinema não cederam à lógica dominante e ergueram trincheiras contra o que parecia irreversível.

Esse grupo de militantes e ativistas urbanos e culturais, respaldados por mais de cem mil cidadãos que apoiam essa causa na internet e milhares que assinaram presencialmente o manifesto, buscou os conselhos de defesa do patrimônio cultural, para lhes mostrar a necessidade de preservar, do processo imobiliário, os espaços públicos de cultura que se tornaram referenciais para a cidade.

Com tenacidade e persistência, o MBA manteve a chama da esperança acesa por dois anos. O cinema está ali, fechado, triste, escuro, fazendo falta sempre que queremos ver um bom filme, mas alguma luz parece surgir no final do túnel. O Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) determinou o tombamento da fachada e registro de memória do cinema. Nenhuma obra ou alteração física pode ser feita sem a autorização do órgão. Espera-se que, com a nova administração da cidade, o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio), que há dois anos abriu processo de tombamento do cinema, possa retomar o assunto, que recebeu parecer positivo da sua área técnica. O proprietário contabiliza os milhões que deixou de receber pela excessiva ganância.

Para além de sua importância como cinema, a reabertura do Cine Belas Artes é fundamental para a reabilitação da vida cultural e urbana da esquina das avenidas Consolação e Paulista, que caiu em decadência, sobretudo durante a noite, nos últimos anos. Em breve estará de volta o Bar Riviera, tradicional ponto de encontro que faz parte desse conjunto cultural. O que será dele sem o movimento efervescente gerado por um cinema como o antigo Belas Artes? Mais um restaurante com “valet” na porta? É disso que São Paulo precisa?

Não, a região necessita de um impulso capaz de potencializar sua ocupação. Com medidas simples de segurança e manutenção, a passagem subterrânea que liga o Belas Artes ao Riviera poderá ser rapidamente revitalizada, com a valorização dos sebos ali instalados. Um bom projeto urbano poderá conectar todos esses espaços com a Praça do Ciclista e outros espaços públicos do entorno.

*Nabil Bonduki, professor da FAU-USP, livre-docente em planejamento urbano, é vereador em São Paulo. Foi o relator da Lei do Plano Diretor Estratégico da cidade

Fonte: Raquel Rolnik

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Novas Iniciativas em prol dos Cinemas do Rio e São Paulo

Adentra o novo ano, com a esperança sendo renovada e, como não poderia deixar de ser, com novos representantes em algumas prefeituras em todo o país.

Nesta semana chegou a notícia de duas iniciativas louváveis que podem inspirar os expoentes do Poder Público de Juiz de Fora.

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Em São Paulo, segundo o blog Quero Cine Belas Artes, a prefeitura local divulgou uma nota por meio de sua secretaria de cultura e “recomendou, em seu relatório final, publicado em 18 de dezembro de 2012, entre outras medidas, a declaração de utilidade pública do imóvel. O secretário se comprometeu em analisar o documento e avaliar a demanda apresentada pela sociedade para garantir que esse importante patrimônio cultural da cidade possa voltar a ser de usufruto da cidadania paulistana. Nos próximos dias o secretário Juca Ferreira deve receber também representantes do Movimento Cine Belas Artes, que milita pela reabertura do cinema. Os ativistas já protocolaram pedido de audiência que deve ser agendada para ainda esta semana.

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Já a outra iniciativa que lembramos no início do texto vem do Rio de Janeiro, segundo o jornal O Globo, onde a prefeitura daquela cidade decidiu instalar placas informativas nos endereços que, no passado, abrigaram salas de projeção.

Desta matéria, vale destacar as palavras do presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Washington Fajardo: “Os cinemas de rua são um patrimônio afetivo da cidade. Nosso objetivo é chamar a atenção para aqueles espaços e, com isso, levar a uma reflexão sobre o uso dos prédios. Muitos deles foram tombados, mas há muitos casos de salas que viraram igrejas, magazines, lojas de motos. Essa mudança de uso ocorreu por questões econômicas e por causa do longo período de insegurança. Agora, que vivemos uma nova fase da cidade, será que não poderíamos resgatar este locais, se não como cinema, como centros culturais?

E agora, Juiz de Fora? O que a cidade poderá fazer pelos nossos cinemas a partir de 2013, especialmente para o Cine Excelsior?

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Juiz de Fora vai perdendo o bonde da história

Neste dia 15 de outubro de 2012, o CONDEPHAAT, órgão competente – ligado ao governo do Estado de São Paulo – que cuida da preservação do Patrimônio histórico, tombou a fachada e os primeiros quatro metros interiores do edifício que abrigou o Cine Belas Artes, na capital paulista.

É uma importante vitória dos movimentos que lutam pela manutenção dos espaços cinematográficos, ainda que este tombamento não garanta o funcionamento do Belas Artes.

No dia de 16 de outubro, o Cine Joia , situado no bairro carioca de Copacabana, publicou em sua página do Facebook um adesivo mostrando o reconhecimento de seu espaço como Patrimônio Cultural Carioca, integrando assim o Circuito dos Cinemas da cidade do Rio de Janeiro.

Enquanto isso, Juiz de Fora vai perdendo o bonde da história, mais uma vez.

Nossa cidade, que poderia caminhar junto com estas duas importantes capitais no que diz respeito à preservação de seus espaços cinematográficos, simplesmente para no meio do caminho, pela insensibilidade, irresponsabilidade ou incompetência da atual administração municipal e de seu COMPPAC (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural), ao ignorar os apelos da população para salvar o Cine Excelsior.

Pobre Juiz de Fora…

Mas não vamos ficar calados e ver a história ser apagada diante de nossos olhos!! Vamos lutar ainda mais pelo Cine Excelsior!!! Vamos lutar pela sua preservação definitiva!!!

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Cinemas de rua: realidade ou ficção?

Artigo da urbanista Raquel Rolnik, publicado em 15 de março de 2012.

Se você detesta a ideia de precisar ir a um shopping center para ver um filme e morre de saudade dos cinemas de rua, saiba duas coisas: 1. Há milhares de pessoas como você, portanto, não se ache um louco solitário saudosista; 2. Há movimentos fortes em várias cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, que já têm conquistado a preservação e o retorno ao funcionamento de vários cinemas de rua que entraram em decadência a partir dos anos 1980, sucumbindo ao modelo do cinema de shopping.

Em São Paulo, por exemplo, no próximo sábado (17) — data que marca um ano do fechamento do Cine Belas Artes, na esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista — será realizado um ato pela reabertura do cinema, às 16h, seguido de uma bicicletada, às 18h. É importante lembrar que a luta pela preservação dos cinemas de rua em São Paulo não é de hoje: em 2004 a cidade aprovou uma lei que concedia uma série de incentivos fiscais à manutenção das salas de rua, mas esta lei foi revogada em 2007. Em 2009, o Cine Marabá, uma das salas que fazia parte da chamada “cinelândia” paulistana, foi reaberto após um processo de restauro .

No Rio de Janeiro, em abril do ano passado, foi reaberto o Cine Joia, uma sala de apenas 87 lugares que funciona dentro de uma galeria em Copacabana, com programação de filmes alternativos — clássicos e de novos diretores — e ingressos a preços acessíveis. Já o famoso Cine Paissandu, no bairro do Flamengo, tem reestreia marcada para julho deste ano. Tombado desde 2008 como Patrimônio Cultural Carioca, desta vez o cinema — que foi ponto de encontro de jovens cinéfilos nos anos 1960 — abrigará também espaços para shows, peças de teatro, exposições, lojas e restaurantes. Também existem planos de reativar no Rio, ainda este ano, o Tijuca Palace, inaugurado em 1962 e fechado desde 1982.

Na zona norte do Rio, o prédio que durante décadas abrigou o Cine Vaz Lobo — inaugurado em 1941 — quase sucumbiu às retroescavadeiras da via Transcarioca, que está sendo construída para os Jogos Olímpicos de 2012. Graças à mobilização de moradores e pesquisadores, o projeto inicial foi alterado, preservando o prédio, e agora, a pedido da Rio Filmes, a reativação do cinema está sendo objeto de um estudo de viabilidade econômica junto à Secretaria Municipal do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro. O estudo inclui ainda outros seis cinemas de bairro.

Quem frequenta e ama os cinemas de rua, sabe que eles dão movimento e sentido aos espaços públicos e vice-versa: basta observar o que ocorre em torno do Espaço Unibanco, na Rua Augusta, em São Paulo. Estes cinemas fazem parte do ethos cultural das cidades e bairros, são pontos de encontro, rituais de escape, divertimento, sonho e reflexão que extravasam das salas para as calçadas ao redor. Lutar pela permanência destas salas, portanto, vai muito além de defender a continuidade de uma atividade ou de um edifício e deveria — cada vez mais! — ser objeto de políticas urbanas e culturais das cidades, estados e do governo federal.

 

Texto originalmente publicado em Yahoo! Blogs.

Raquel Rolnik é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada.

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Reativação dos cinemas de rua no Brasil é novo modelo de negócios

Debate realizado no programa Conta Casual da Globo News, no dia 19 de abril de 2012. O Cine Excelsior foi citado no meio do programa.

Empresas apostam em cultura e entretenimento fora dos shoppings e de grandes arenas. A rentabilidade deste tipo de negócio é de 25% ao ano, em média.

O Conta Casual desta sexta-feira discutiu sobre a reativação dos cinemas de rua no Brasil e experiências deste tipo em cidades como Londres e Nova York. A reabertura do Cine Paissandu, no Rio de Janeiro, deve acontecer ainda em 2012. Quarenta empresas já foram contactadas para estarem no espaço multiuso, de teatro, música, cinema e arte. A rentabilidade deste tipo de negócio é de 25% ao ano, em média.

Em São Paulo, há um movimento pela reabertura do Cine Belas Artes, cujo tombamento está em análise pelo IPHAN. Projetos como esses no país custam de R$ 5 milhões a R$ 15 milhões, e valorizam o aspecto do cinema de bairro, da “walk distance”, que aposta em cultura e entretenimento fora dos shoppings e de grandes arenas.

O jornal recebeu Leo Feijó, empreendedor cultural e gestor de projetos na economia criativa, consultor do Instituto Gênesis da PUC-Rio e professor de mercado do entretenimento na ESPM, e Renata de Almeida, diretora da Mostra Internacional de Cinema SP.

Clique no link para ver os vídeos na íntegra.

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Cine Belas Artes – A Esquina do Cinema

A luta pela salvação de um cinema de rua não se restringe a Juiz de Fora. Há vários exemplos pelo país. São Paulo, por exemplo, luta para manter o Cine Belas Artes. Assista ao vídeo e veja mais sobre este cinema paulistano aqui.

 

 

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