Fechado há 14 anos, Cine Brasil será reaberto como centro cultural

Matéria publicada no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, sobre a reabertura do Cine Theatro Brasil. Enquanto a capital do estado dá o exemplo, Juiz de Fora menospreza o a história do audiovisual local.

Novo Cine Theatro Brasil-03

Bruno Moreno

As cortinas ainda não se abriram, mas os tapumes que cercavam o Cine Theatro Brasil, na Praça 7, Centro da capital, foram retirados na manhã de terça-feira (10). Com toda a fachada à mostra, falta pouco para os belo-horizontinos conferirem como ficou a reconstrução do último cinema de rua tradicional da cidade.

A ansiedade vai durar pouco menos de um mês. Em 8 de outubro, as portas serão abertas ao público com a exposição Guerra e Paz, de Candido Portinari, composta por dois imensos painéis de 140 m² cada (10 metros de largura x 14 metros de altura), expostos no palco principal.

Juntas, as peças pesam mais de uma tonelada. A dimensão equivale quase ao dobro de um apartamento de dois quartos. Pelo tamanho majestoso, o palco do Cine Theatro Brasil, com 22 metros de pé direito, foi o único espaço em Belo Horizonte selecionado pela curadoria da exposição para recebê-la.

Além dos painéis, serão apresentadas obras de arte relacionadas ao tema, assim como estudos feitos por Portinari, na década de 50, para compor as telas. Esse “complemento” será exposto em um novo salão, construído acima do antigo telhado do prédio, graças a tubos de aço.

Toda a estrutura foi feita pela siderúrgica Vallourec. Por meio da Fundação Sidertube, mantida pela empresa e dona do prédio, foram investidos R$ 53 milhões na reconstrução, sendo R$ 29 milhões da Lei Federal de Incentivo à Cultura e R$ 24 milhões próprios.

A obra começou em 2007 e a inauguração foi adiada diversas vezes. Dentre os motivos estão o detalhamento exigido para a reconstrução e algumas “surpresas” – uma delas no teatro principal, onde estão as pinturas geométricas do artista plástico italiano Ângelo Biggi. Entretanto, para encontrá-las foi preciso raspar até cinco camadas de tinta.

Hora marcada

A exposição ficará aberta até 24 de novembro, com entrada gratuita, entre 10 e 19 horas. Os visitantes serão guiados em grupos, a cada hora.
A programação começa com a exibição de um filme no grande teatro. Em seguida, serão apresentados os painéis. Na sequência, o grupo subirá ao novo salão, onde estarão os estudos de Portinari e outras obras relacionadas ao tema.

As telas gigantes foram pintadas a pedido da Organização das Nações Unidas (ONU), entre 1952 e 1956, e instaladas no hall da sede, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Em 2010, durante uma reforma no espaço, as obras vieram excursionar no Brasil pela primeira vez. Já passaram pelo Rio de Janeiro e por São Paulo. No ano que vem, deverão voltar aos EUA.

Fonte: Hoje em Dia

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Tombamento do Cine Excelsior, de Juiz de Fora, é rediscutido

O espaço vem sendo alvo de disputa entre produtores culturais e proprietários

(Foto: Felipe Couri/Arquivo)

Cine  Excelsior

Fundado em 1958, o Excelsior é considerado o maior cinema do interior de Minas

JUIZ DE FORA – O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac) abriu novo processo de tombamento do Cinema Excelsior, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. O espaço vem sendo alvo de disputa entre produtores culturais e proprietários. Em novembro do ano passado, os donos iniciaram a construção de uma loja e um estacionamento no local. Fundado em 1958, o Excelsior é considerado o maior cinema do interior de Minas, com capacidade para 1.250 pessoas.

Um dos líderes do movimento “Salvem o Excelsior”, o cineasta Franco Gróia, comemorou a medida. No mês passado, a Justiça havia embargado as obras no local. A sentença atendeu a uma solicitação do condomínio do Edifício Excelsior, que se posicionou contrário à utilização do local para finalidades que não sejam culturais.

“Agora não poderão fazer obras no cinema até que o processo seja concluído”, informou Gróia. Na primeira fase desse novo processo de tombamento é enviada uma notificação aos proprietários ou herdeiros, que têm até 30 dias para se manifestar oficialmente, impugnando a solicitação. O prazo terminará no dia 3 de maio. Depois dessa etapa, o Comppac votará a proposta. Caso o conselho não aprove o tombamento, o processo é encerrado.

Embora esteja desativado desde 1994, produtores culturais e cinéfilos reivindicam tombamento do cinema, por considerá-lo importante para a identidade cultural do município. O movimento de preservação quer transformar o local num espaço cultural multiuso, contemplando, além de projeções cinematográficas, eventos de turismo.

Além de 1.250 cadeiras, a sala possuía 21 caixas de som, poltronas com leve inclinação, ar condicionado central, projetor cinematográfico de alta fidelidade, teto em estilo art noveau, e iluminação a néon, sendo apontado, até a década de 90, como um dos mais modernos cinemas do Brasil.

O último pedido de tombamento do cinema, já negado em outras oportunidades, foi feito pelo grupo “Salvem o Excelsior”, no último dia 2. Nessa nova oportunidade, o Comppac, recebeu uma documentação com mais de 500 páginas contendo informações históricas sobre o prédio, depoimentos diversos, documentários, fotos e um abaixo-assinado obtido junto a internautas, com mais de 1.600 adesões.

Fonte: Matéria de Ricardo Beghini publicada no jornal Hoje em Dia, do dia 9 de abril de 2012.

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Justiça embarga obra em cinema

Matéria publicada no jornal Hoje em Dia, de 23 de março de 2012.

Justiça embarga obra em cinema – Intervenções no Cine Excelsior, em Juiz de Fora, transformariam o espaço em uma loja

O movimento pela preservação do Cine Excelsior de Juiz de Fora, na Zona da Mata, conseguiu suspender judicialmente uma obra que iria transformar o espaço em uma loja e em um estacionamento. O cinema é considerado o maior do interior do Estado. Fundado em 1958, tem capacidade para 1.250 pessoas. O juiz da 2ª vara cível, Luiz Guilherme Marques, determinou, em caráter provisório, o embargo da intervenção.

A sentença atende a uma solicitação do condomínio do Edifício Excelsior, que se posicionou contra a utilização do local para fins que não sejam culturais. Os moradores do prédio foram sensibilizados por produtores e cinéfilos que reivindicam o tombamento do cinema, que se encontra desativado desde 1994.

Outra vitória do movimento foi à suspensão administrativa da obra, que estaria sendo desenvolvida sem o alvará da prefeitura. Porém, segundo o cineasta Franco Groia, morador do edifício Excelsior, e líder do grupo que luta pela preservação do espaço, as medidas não garantem a preservação definitiva do cinema. “Elas são temporárias. Só o tombamento é para sempre”, reforça.

No último dia 2, o grupo esteve com representantes do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural (Comppac), de Juiz de Fora, para apresentar um novo pedido para o tombamento do Excelsior.

Uma documentação com mais de 500 páginas foi protocolada no órgão. O material tem contém informações históricas sobre o prédio, além de depoimentos, fotos e um abaixo assinado com mais de 1.600 adesões. “Desta vez, não há como negar”, disse Groia, lembrando que pedidos anteriores foram recusados pelo conselho. Ainda segundo o cineasta, o Ministério Público Estadual, por meio da promotoria do meio ambiente e patrimônio de Juiz de Fora, prometeu acompanhar o processo.

Paulo Gawryszewski, que representa da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) junto à Comppac, confirmou que o pedido foi protocolado no conselho. Mas, ele não estabeleceu pra¬zos para a decisão. “Temos 80 processos para analisar”, afirmou.

O Excelsior tinha 21 cai¬xas de som, poltronas com leve inclinação, ar condicionado central, projetor cine¬matográfico de alta fidelidade, entre outros elementos. Até a década de 1990, era apontado como um dos mais modernos cinemas do Brasil.

Atualmente, o Excelsior pertence a uma família tradicional de comerciantes. Um dos proprietários, Ricardo Arbex, disse que eles irão se reunir e deverão se pronunciar no final do mês.

Fonte: Matéria de Ricardo Beghini, publicada no dia 23 de março de 2012, no Jornal Hoje em Dia

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Em Defesa do Cine Excelsior

Segue abaixo a reprodução da matéria “Em Defesa do Cine Excelsior”, escrita pelo jornalista Ricardo Beghini, publicada no Jornal “Hoje em Dia” no dia 28 de dezembro de 2011.

JUIZ DE FORA – Produtores culturais, cineastas e até internautas estão se mobilizando para evitar que o Cine Excelsior, considerado o maior cinema do interior de Minas Gerais, com capacidade para 1.250 pessoas, seja transformado em um estacionamento. As discussões sobre a importância do Excelsior para a identidade cultural de Juiz de Fora vieram novamente à tona no fim do mês passado, quando começou a retirada de cadeiras do espaço, já em processo de descaracterização.

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